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A Magenta que queria ser VJ

Quando eu era criança e a MTV logo surgiu por aqui, era tudo o que meu irmão queria assistir. Ele é dez anos mais velho que eu e gostava de ver Beavis & Butthead e clipes do Pink Floyd. Era um canal transgressor e completamente maluco que gerava altas brigas no meu horário do Carrossel e do Glub Glub, mas que eu também gostava porque tinha uma aura de adolescente descolado que eu queria ser um dia.

Quando mudamos pra atibaia e eu fui chegando perto da pré-adolescência, meus pais contrataram um serviço de televisão por satélite já que lá no interior nao tinha TV a cabo. E aí eu comecei a assistir MTV vinte e quatro horas por dia. Quando teve o Caça VJ, chorei por não ter idade o suficiente pra participar. Mais tarde, entre o ensaio da minha banda de hardcore e das peças de teatro, ficava na frente da TV com o pé em um banquinho apresentando os clipes que eu gostava pra uma plateia invisível que só gostava de ouvir o que eu também gostava – Offspring, Green Day, NOFX, Millencolin, Sex Pistols e outros clipes que às vezes eu acordava de madrugada pra gravar nas fitas que rodavam entre meus amigos e eram tantas vezes copiadas, pirateadas, assistidas.

Um dia do ano passado eu estava frustrada com meu trabalho em um lugar que além de não ser reconhecida,  fazer um trabalho que não fui contratada pra fazer e ser mal tratada pela dona ainda era longe da minha casa. Eu estava infeliz, chegava em casa cansada e só queria dormir, tinha crises terríveis de enxaqueca que não me impediam de enxergar. Aí me chamaram pra coordenar a equipe de mídias sociais da MTV.

Eu fiquei meio em choque. As coisas lá eram feitas de um jeito meio amador, meio divertido, meio querendo mandar tudo à merda às vezes. Mas todos os dias eu passava por aquele tapete no chão com o símbolo da emissora que me viu crescer. E eu a vi nascer, crescer e morrer. Eu estava lá quando começaram os boatos, quando tive que procurar outro emprego porque meu chefe disse que não sabia até quando poderia me manter lá. E aí todo mundo começou a chorar, a sair, a ficar com medo e pular fora do barco.

Eu amo meu emprego atual, mas é diferente de trabalhar num sonho. De andar pelos estúdios, pelos acervos, de tomar aquele café horroroso da máquina, aquele pão de queijo super faturado da Real (pelo menos o filho do dono é gatinho). O que eu tive no tempo que passei na MTV, nunca vou ter de novo, porque era quase lúdico. Eu me estressei muito lá com diversas coisas que nada tiveram a ver com o fim da emissora, e também chorei por medo de realmente tudo acabar. E um dia acabou.

Vou sempre amar a MTV e as pessoas que conheci lá. Os meninos do Portal, meus estagiários incríveis, o pessoal da programação, de parcerias, as meninas fofas da produção. Acho que todo mundo da minha geração deveria ter tido a experiência de trabalhar lá pelo menos uma vez na vida, ver como tudo era feito do lado de dentro, de dentro daquela caixinha. Que tinha muita coisa sendo feita de um jeito babaca, mas que quem fazia acreditava piamente naquilo. Que também tinha muita gente pensando fora da caixa e fazendo umas coisas que ninguém teria coragem de fazer fora dali e não importa pra onde a parada toda vá, não terão coragem de fazer de novo.

Não sei se vocês conseguem entender o quanto esses 10 meses que passei cuidando de uma equipe de quatro pessoas nas mídias sociais da MTV foram felizes e importantes pra mim. Não sei se eu mesma entendo. Sei que foi a realização de um sonho.

A Magentinha não virou VJ, mas virou gente grande e esteve lá no momento mais importante da televisão jovem brasileira.

Vou sentir saudades de você, emetevê…

  • Marina

    feliz em saber que eu não era a única jovenzinha que ficava com o pé no banquinho (no meu caso) chamando a britney no disk mtv :~

  • Jules

    Menina, que coisa mailinda!

    Eu chorei, também. Fizemos parte de tudo! VMB, programas até as 4h da manhã (ei, VMA, vai tomar no…!), tudo tudo. Valeu as pizzas de sexta na Real, as Heinekens carissimas, o filho do dono que era gato, os adolescentes na porta… valeu tudo, Dani. Principalmente ter te conhecido. <3

    Beijo!