Instagram

Follow Me!

O inferno dos vinte e poucos anos.

Vou contar uma coisa pra vocês e talvez as leitoras mais jovens fiquem um tanto frustradas com a constatação: ter vinte e poucos anos não é fácil. É tão complicado, ou até mais, do que a terrível realidade que acompanhamos nas duas temporadas da série Girls. Com certeza veio daí o sucesso: se a Lena Dunham conseguiu descrever tão bem é porque o inferno dos vinte e poucos anos é um fenômeno universal e talvez não esteja acontecendo só comigo mas também com todo mundo que finge ser feliz na internet.

Eu me formei em Comunicação Visual, mesmo sabendo que sempre quis escrever. A primeira grande escolha que precisei fazer na vida – qual faculdade iria fazer – e já comecei errado. Quando me formei a muito custo entrei na crise existencial que eu pensei ser a pior de todos os tempos: e agora? Não quero ser designer e nem tenho talento para tal. Acho lindo a parte artística – me dê tinta, papel colorido e luzes de natal pra reformar uma cômoda e eu vou achar incrível – mas ter que repensar mil vezes a disposição de blocos de texto numa página definitivamente não era pra mim. Não tenho talento pra ilustração, o que me fazia o patinho feio da classe em que estudei, e logo me senti excluída da maior parte dos assuntos e encontros.

Mas eu escrevia. Eu usava as palavras de forma que aquelas pessoas nunca usariam, nem mesmo durante uma conversa normal. O que eu estava fazendo ali?

brava_cesinha

Numa época não muito longe dessa eu perceberia que tal questionamento iria abranger muito mais do que minha escolha de ensino superior. Empregos errados, relacionamentos bizarros, e até o modo como eu me vestia: tudo parecia uma forma na qual meu bolinho não se encaixava. Até hoje me olho no espelho e enxergo um grande ‘WTF?’ estampado na minha testa.

Ter vinte e poucos anos é isso? É não saber pra onde devemos ir? Minha mãe com minha idade já criava um filho, casada, e eu estava quase a caminho.

Tenho vinte e sete anos e nem sei se estou na profissão certa. Parece que algum detalhe me passou em branco, como quando eu procurava o Wally nos livros e tinha certeza que já havia olhado a página centímetro por centímetro: ‘Onde esse filho da mãe está?’. Minha vida e meus desejos são um grande livro de Onde Está Wally. O que é que eu estou perdendo? Com certeza tem algum detalhe que vai fazer toda a diferença e provavelmente está gritando na minha frente mas eu não consigo ver.

Tudo parece um sonho, um sonho errado, daqueles que a gente corre corre e não chega a lugar nenhum. Tenta acordar, em vão, e quando consegue pensa que preferia ter continuado dormindo.

Ninguém me avisou que passar pelos vinte anos era tão complicado assim – talvez porque as gerações passadas encarassem essa fase de forma completamente diferente. Não é fácil aqui. Pra vocês está tudo bem? Eu estou sozinha nessa?

Eu tenho vinte e sete anos.

Pra onde é que eu vou agora?

 

*foto por César Ovalle

  • Se a Dani pudesse fazer o que ela quisesse da vida, o que ela faria? Uma vez uma pessoa me disse isso ‘follow your bliss’ tô até agora tentando entender, mas acho que aos poucos, todo dia um pouquinho, isso faz sentido…tô nessas, sozinha você não está, me falam que é se perdendo que a gente se acha…

    • A Dani não sabe e esse é o primeiro problema. Admiro muito quem consegue responder essa questão, porque eu nem sei pra qual caminho quero ir.
      Eu quero escrever, mas e daí? Nem sei se sou boa pra isso.

  • Parece que este texto foi feito para mim!! Tenho 28 anos e estou na mesmaaaa!!!

  • Me identifiquei, e muito. Certamente, sozinha você não está!

  • Giovanna Sacche Salles

    Não, Dani, você não está só. Eu acabei de me formar em Publicidade e só consigo pensar que eu fiz meu pai gastar o dinheiro de um carro novinho em uma faculdade que eu peguei raiva. Alá a menina que odiava números no colégio trabalhando e gostando de métricas.
    Eu também penso na minha mãe e que meus pais já tinha casa própria na minha idade e eu namorando, não sabemos nem se vamos conseguir pagar o aluguel ano que vem (ufa, depois de seis anos de namoro).
    Mas minha mãe só fez faculdade aos quarenta. Escolhas. :)
    Eu com quase 23 e ainda quero abraçar o mundo com as pernas, acho que esse é o meu defeito.

  • Danielle, esse é um questionamento que fiz muito quando tinha sua idade… E continuo fazendo, sabe? Hoje, com 34 anos, sei o quão importante é parar de se enganar e, finalmente, começar a seguir o que o coração manda (ao invés do que os pais, professores e intrometidos) dizem…
    Fiz um post muito nesse pegada pro meu blog semana passada, acho que você vai se identificar de alguma forma: http://www.bramare.com.br/2013/04/16/missao-possivel-sucesso-depois-dos-30/
    Sempre dá tempo de se colocar de volta no caminho da onde nunca deveríamos ter desviado. Acredite em você :) Bjos!

  • Nanda Matos

    Deixa eu te acalmar, pois vc não está sozinha. Também estou na casa dos vinte e poucos e todo dia me questiono e aí qual próximo passo? Não sei te responder, mas acredito que estamos no caminhos certo, olhando por uma vertente de que ja sabemos o que não queremos de forma alguma.

    Sorte pra nós!

  • Tenho vinte e pouco anos e tive a brilhante ideia de ser administradora de banco de dados. Ok, meu pai tem orgulho de mim, mas sair toda engomadinha no social e ficar o dia todo no escritório me frusta. Me sinto mais uma formiguinha indo para a mesma direção que todo mundo. Queria mesmo era ser autônoma, vender as minhas próprias roupas e me vestir do jeito que me der vontade. O problema é arriscar tudo o que eu já consegui para começar tudo de novo. Sozinha você não está, mas e agora, o que agente faz?

  • Laura de Souza Moreira

    Dani, eu penso nisso todo santo dia e isso me consome muito.
    Eu fiz faculdade de Engenharia Agronômica e posso te falar, com toda a certeza do mundo que eu sou a pessoa mais urbana que existe. Agora você se pergunta: por que diabos uma pessoa assim faz faculdade pra algo que tenha que lidar direta, única e exclusivamente com o campo? Não sei responder.
    O mais chato é também não saber onde eu me encaixo e pensar nisso me dá um desconforto tão grande que eu sem sinto sempre cansada, inquieta. E não é uma coisa que a gente pode simplesmente deixar de pensar, até porque não quero me sentir perdida pro resto da vida, tô assim há 5 anos e acho que já tá mais que suficiente. Eu me sinto muito inútil não sabendo o que eu quero, porque me sinto travada pra correr atrás de outras coisas.
    O que eu posso te dizer de bom é que esse nosso problema parece ser comum. E que eu espero por dias melhores, pra mim e pra você!

  • Barangurte

    Acho que somos a 1ª geração de “jovens adultos”. Antes de nós, nessa idade, você já estava casado, com filhos, com cachorro, pagando aluguel e sem nenhuma outra perspectiva e pronto. Entravam em empregos, não escolhiam carreira. Não queremos ser assim. Mas ainda não sabemos o que queremos ser.

    Me abraça que eu to na mesma.

    We are young and naive still.

    • exato. temos quase trinta e ainda somos MUITO jovens.

  • não, não tá sozinha. To com 24, e to com as mesmas duvidas, medos, e frustrações. Comecei a faculdade 2 vezes, e ainda não consegui me formar. Tenho medo de fazer, e depois não arrumar trampo. A maioria dos amigos “casados”, com filhos, e eu nem namorado tenho. Sou muito feliz, sim, com o que tenho, mas quero mais, preciso de mais, não quero mais o básico. Acho que somos assim. Como a menina disse, somos a primeira geração de “jovens adultos” todos na dúvida do que fazer, do que ser…

  • A vida começou tão precocemente para mim que junto com a nova posição que a mulher ocupa na sociedade, o comparativo com o passado (não tão distante) de uma geração e a demanda de informações com as quais nos deparamos a cada segundo, foi a fórmula perfeita para que em algum momento eu explodisse em questionamentos e dúvidas sem fim.

    Nunca questionei minha profissão ou o que amo fazer da vida, acho que isso é meu norte.
    Cada um tem um desejo de alma e o meu sempre foi (e creio que sempre será) ligado ao profissional.
    Mas confesso que tem sido difícil, as vésperas de completar 26 anos, lembrar como minha vida sempre deu aqueles giros de 360 graus, só que nunca para lugar algum.
    Achava que com a idade viria maturidade e o discernimento, mas me vi tantas vezes nos últimos, sei lá, 3 anos, me enfiando em cada roubada para ajudar pessoas (e ainda saindo de errada da história) ou até mesmo na vida amorosa e profissional.
    E me culpava, me sentia “atrasada” entende?

    Isso é crescer?
    Ficar ainda mais perdida do que quando eu tinha que decidir “o que eu queria ser quando crescesse”?
    Se for, eu sinceramente tinha uma outra visão sobre ser adulta.

    Eu na verdade, tinha sonhos maiores para mim…

    Acho que a nossa geração é um pouco daquela coisa do “eternamente insatisfeito”.
    A vida do outro para poder comparar a todo momento, as viagens do outro, o namorado perfeito, o trabalho incrível do outro (que as vezes nem merece tudo isso de incrível) só acaba agravando esse sentimento.
    Tenho a sensação de que chega mais um final de dia e eu não cheguei a lugar nenhum.

    Já me peguei milhares de vezes sentada em silêncio esperando a ideia que vai mudar a minha vida aparecer.
    Mas são tantas dúvidas que não consigo ver.
    E o pior, não sei o que fazer para passar.

    As vezes eu penso que não deveria ter experimentando tantas coisas na vida, na busca pela auto conhecimento.
    Eu deveria ter escolhido um caminho, ido em frente e não parado para olhar as distrações ao redor.
    Não sei se um dia também vou encontrar essa resposta.
    Mas a vida não para, o tempo não para e a gente tem que continuar indo em frente.

    Você não está sozinha ;)
    <3

    • <3
      espero que um dia a gente olhe pra trás e dê risada disso tudo, pensando "nossa como éramos bobas!"

  • Guest

    Só tenho 19 e me falta perspectiva desde a 1ª série, nunca soube o que queria da vida, se é que eu queria alguma coisa. :/

  • Só tenho 19 e me falta perspectiva desde a 1ª série, nunca soube o que queria da vida, se é que eu queria alguma coisa. :/

    • Tem que continuar buscando! Uma coisa eu aprendi: não temos muita opção.

  • Samara Correia

    Opa, eu poderia ter escrito esse texto. 24 anos, formada em jornalismo, adoro escrever, mas não suporto a ideia de trabalhar em um jornal. Não sei se corro para fazer outro curso, se vou para a pós, se tento mestrado. Não sei se namoro, se fico solteira ou se vira freira.. e por aí vai. O que sinto, é que todos, inclusive nós mesmos, nos cobramos para atingir o sucesso o mais rápido possível. E enquanto não atingimos o tão sonhado sucesso, vamos considerando tudo fracasso, enquanto na verdade é um caminho… enfim, será que isso passa uma hora?! Tô achando que não!

    • ninguém que passou por essa crise se manifestou pra me dizer se existe vida após os vinte! nos resta torcer.

  • Pingback: Sexta Básica! - Bramare()

  • camila

    Idem aqui.

  • G

    Aqui essas questões bateram no quarto ano da faculdade.
    Loucura largar. Loucura continuar. Continuei e sou formada há 3 anos.

    Essa coisa de ter pessoas por perto – amigos mesmo, não gente ruim – que sabem o que querem da vida e que estão chegando/chegaram lá, piora essa sensação.
    Não quero ser veterinária, mas quero a mesma determinação da amiga pra publicar artigos, conseguir bolsas e passar em concursos.
    Não quero ser designer, mas quero a mesma determinação do namorado de participar de concursos, batalhar por um portfólio melhor e se aprimorar sempre.

    Como eu vou melhorar, se nem sei o que quero fazer? Chegar onde se nem si como tô andando?

    Não sei se você já conseguiu chegar em algum lugar que queria.
    Se chegou, diz como melhora. E se melhora, né…

  • é difícil, né? me identifiquei pra caralho com o texto.

  • L.

    Caramba. Estamos na mesma então. Tenho apenas 20, mas me sinto totalmente perdida na minha faculdade. Acredito ter encontrado minha futura profissão dos sonhos, mas isso significa ter que largar TU-DO e ir embora em busca de um mercado inexistente no meu estado. A frustração só aumenta quando bate vontade de ter uma família, mas querer me dedicar muito mais que a maioria se dedica a ela. Priorizar a família como eu gostaria de fazer é quase um crime em tempos feministas como estes. O medo de falhar e decepcionar tá imenso!

  • carol

    NOSSA. Você falou tudo e mais um pouco. É bom saber que não estamos sozinhos nessa. No meu caso, o que me deixa mais frustrada, e que Parece que todos ao redor estão construindo suas famílias, estão num emprego legal, e na carreira dos sonhos
    Eu to no terceiro ano de pedagogia, estou amando, mas eu sou muito insegura. As vezes eu penso: sera que eu vou conseguir ter o meu carro, a minha casa? O tempo esta passando muito rapido. Eu tenho 23 anos e pra onde eu tenho que ir agora?