Lembro que eu tinha uma amiga cujo pai batia na mãe. E todos da cidade sabiam, mas ninguém falava nada porque ‘não é de boa educação se meter na vida dos outros’. Enquanto o silêncio permanecia para as coisas importantes mas a língua era bem solta quando se tratava de falar pra vida dos outros, a mãe da minha amiga escondia os hematomas nos braços com echarpes e casacos em pleno verão.
Em outra situação, discutíamos na faculdade sobre uma mulher que foi apedrejada no Irã, condenada por adultério. Veja bem, no Irã uma mulher pode morrer se trair o marido. O marido, no entanto, pode ter quantas mulheres desejar. Um de meus colegas disse que nada poderia ser feito e nós não tínhamos nada a ver com isso pois isso era uma questão cultural do Irã. Que devíamos deixar isso pra lá, mudar de assunto, e não valia a pena ser discutido.
Não importa se acontece na sua vizinhança ou em um país completamente diferente do nosso: esse silêncio me mata aos poucos. Ver as pessoas se calando por medo ou indiferença. Perceber que estamos longe de conscientizar um mundo inteiro da falta de humanidade que é agredir uma mulher.
Dia 25 de novembro foi escolhido como o Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher em homenagem a Las Mariposas – as Irmãs Mirabal, líderes de um movimento de libertação política na República Dominicana que foram assassinadas brutalmente a mando do ditador Trujillo.
Amanhã, sexta-feira, haverá um flashmob em Porto Alegre pelo fim da violência contra a mulher. Gaúchas, uni-vos! Vocês podem encontrar mais informações aqui.




