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Fique calma e enjoy the ride.

Me perguntaram porque a frequência dos posts no blog havia diminuído nos últimos tempos. Eu respondi “Porque eu estava triste”.

– Mas ainda?

Eu fiquei com a maior cara de paisagem da história.

Eu não gosto de ficar triste. Não compreendo a expressão “curtir uma fossa”. Quem acha legal ficar chorando, ouvindo Smiths, comendo sorvete direto do pote? Quer dizer, ouvir Smiths comendo sorvete pode ser muito agradável se for uma atividade para entretenimento e não pra auto-flagelo. Ninguém quer passar meses sofrendo. Eu queria ter superado bem rápido, que nem todas as outras vezes. As tristezas algumas vezes deixam cicatrizes, mas a dor passa, muda, vai embora.

O fim do meu retorno de saturno foi um período de muitas perdas. Disse adeus mais vezes do que gostaria, mas, ao mesmo tempo, mudei muita coisa em mim – em como vejo a vida, minhas responsabilidades e paixões. Todo dia é uma luta pra amar diferente, viver diferente, agir diferente. Sei que no fim de tudo vou olhar pra trás e compreender o quanto esse período foi de extremo  amadurecimento pra mim. Mas todo período de amadurecimento é um parto. Estou em trabalho de parto há pelo menos três anos, dando luz à uma Dani adulta, mas nem tanto. Uma Dani que se conhece melhor e traçou um caminho na cabeça pra colocar em prática.

Me sinto na obrigação de falar sobre o que fez eu me afastar do blog aqui pois eu recebo e-mails e comentários no YouTube perguntando por onde ando e nunca sei o que responder. A verdade é que o blog E o canal do YouTube não me dão dinheiro. Esse ano fiquei meses sem ganhar um real por aqui – por algum motivo, os Ads do Google não funcionam, e a dita crise fez não fechar quase nenhum publi. Ganhar dinheiro no YouTube não é tão fácil quanto parece, e quando as pessoas falam “ah quero virar blogueira” eu tenho vontade de dar um abraço e falar “cara cê não sabe o que te espera”. Eu tive muitos projetos paralelos por muito tempo e chegar em casa pra preparar posts se tornava impossível. Eu tinha um namorado pra quem eu queria dar atenção plena enquanto estávamos no mesmo país. Eu tocava em festas, tentava escrever pra outros meios e estudar. Além disso, sempre precisei de um emprego que me ocupava pelo menos 10 horas do dia pra conseguir pagar minhas contas. Meus pais não podem me ajudar, voltar a morar com eles está longe de ser uma opção, e eu cuido de mim. Sozinha.

Hoje, pra mim, marca um recomeço. Eu tenho um plano na cabeça – trabalhar bastante, voltar a postar no blog com frequência e juntar dinheiro pra conseguir pagar minhas dívidas e então fazer um curso profissionalizante de maquiagem e penteado. É isso que eu quero pra mim e nada vai me tirar desse caminho.

Se eu estou triste? Estou, sim. Eu sinto saudades todos os dias. De quem amei, de quem amo. Dos meus amigos. De quando a vida era mais simples e eu não sabia. Da minha sobrinha que eu mal vejo. De paixões rápidas que tinham tudo pra ser e não foram.
Mas sei que parte dessa tristeza vai passar em breve porque eu resolvi cuidar de mim pela primeira vez na vida. Hoje eu acordei e pensei – vou cuidar de mim, esse é o plano. E pela primeira vez em pelo menos DEZ ANOS, eu consigo olhar pra frente e ver um caminho, uma linha reta. Sem bifurcações ou labirintos.

Agora eu sei pra onde ir. O caminho não vai ser fácil, não. Mas, pelo menos, agora posso enxergá-lo.

Bem-vinda de volta, Dani Cruz.

Enjoy the ride.

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Cinco coisas que eu sinto saudade de Nova York

Existem cinco coisas muito bobas e sem graça, mas que eu sinto muita falta em Nova York, e nas quais eu penso todos os dias.

  1. Passar de ônibus aos domingos pelo bairro judeu do Brooklyn e ver as famílias todas a pé indo fazer suas coisas no fim do dia. As mães com as crianças pequenas e meninas, com as roupas todas parecidas em preto, branco e azul escuro, a cabeça coberta com algum chapéu ou lenço. Os meninos mais velhos e os homens todos unidos, com seus chapéus de abas largas ou pêlos, aqueles cachinhos do lado. Me sentir uma estranha sem entender uma palavra do que eles falam, com meu top cropped sendo um absurdo intrusivo em sua cultura rígida. Estar em outro país, dentro de outro país.
  2. O metrô que faz vinte graus (Celsius, ainda não aprendi a pensar em Fahrenheit) a mais debaixo da terra do que fora. Se está calor na rua, lá embaixo estará insuportável, e dentro do trem vai estar congelante por causa do ar condicionado. Se está frio do lado de fora, você vai começar a tirar todos os casacos na escada, e colocar alguns de volta ao entrar no vagão. Entre o tira e põe de casacos e o suadouro da estação, perde-se algumas calorias.
  3. A cor do céu. É diferente. Eu não sei se é por causa do hemisfério, já que eu nunca fui pra outro lugar no mundo. Mas o céu de Nova York é lindo demais quando o sol se põe no horizonte dos prédios de tijolinhos. Um dia eu parei no meio da rua e derramei uma lágrima. Felicidade era aquilo.
  4. Sentar na Union Square por quarenta minutos e contar quantos tipos de gente louca aparece — dançarinos brancos, travestis, pessoas com cachorros, b-boys, velhinhos, traficantes, namorados, cantores indies, turistas japoneses, moças fashionistas, homens de negócios, trabalhadores latinos, repórteres, policiais, bandas de jazz completas que surgem do nada, eu e você.
  5. Sair com a roupa mais estranha que eu tinha na mala e ninguém me olhar torto ou feio, ser paquerada na rua (por uma menina bonita) mesmo estando do lado do meu namorado e ainda encontrar uma garota com uma roupa igualzinha a minha.

    Porque, afinal, é Nova York.

    [highlight_sty background=”#FFF000″ color=”#000000″]E você pode ser quem você quiser.[/highlight_sty]

 

(esse post foi publicado originalmente no meu Medium.)

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A última coisa que deu errado.

Eu passei duas semanas infernais.

Tem blogueira que não gosta de falar que sente. Eu não consigo me resumir a xampu, sapato e maquiagem. Não que seja errado escolher só falar sobre certas coisas e não querer expor sua vida pessoal ou seus sentimentos. Mas eu passei tantos anos escrevendo só poesia que seria muito fora do natural não falar desse tipo de coisa que todo mundo passa, mas a gente usa a internet pra fingir que vive uma vida sorridente em um filtro de instagram.

Nas últimas duas semanas eu tive problemas relacionados à saúde, física e emocional. Fiquei doente. Tive um lance de família meio bizarro. Precisei cancelar uma discotecagem que eu queria muito fazer. Umas paradas de grana, umas paradas de trabalho. Não, eu não vivo do blog, infelizmente, por mais que eu queira muito – ele nem paga minhas contas. Meu macbook novinho foi pra assistência duas vezes. Eu perdi um monte de arquivos, fotos e vídeos que eu tinha gravado e estava faltando só editar pra postar aqui e no YouTube. Eu quis desistir, dormir, fugir, mudar de nome.

Muita coisinha deu errado. Minhas unhas quebraram, minha pele está horrível, eu estou bem acima do meu peso, meu guarda-chuva quebrou, saí de sapatilha no dia em que precisei andar com água até a canela e de bota quando fez trinta graus, me irritei em casa, minha conta de gás voltou,  eu fui tomar um passe e dei de cara com a porta.

De manhã, meus olhos se arregalavam às cinco e quarenta. Quando eu acordava ainda não estava nem claro do lado de fora, minha cabeça latejava e eu estava consciente do meu corpo inteiro de uma forma que a gente só fica quando está doente. Quem disse que consciência corporal é sempre uma coisa boa? Cada músculo de mim doía. Eu tomei remédio. Eu cansei de remédio. Eu comecei a fazer terapia convencional pela primeira vez na vida. Eu me enrolei no colo do meu namorado como se fosse um tatu bola.

Aí hoje de manhã eu encontrei um conhecido no ônibus, que eu não via faz tempo, mas que me acompanha pelo Facebook. Ele disse:

– Nossa, seu computador quebrou de novo. Que azar, né?

Eu fiquei pensando nisso de azar, de estar cansada, de reclamar da vida. Pensei na minha vida profissional nos últimos tempos. No resumo torto que fiz pra psicóloga do último ano da minha vida. E eu decidi que não vou deixar que seja assim. Que essa merda toda é, sim, uma merda, mas ela vai ter um fim. Eu vou dar a volta por cima nessa caceta toda. Vocês vão ver. Eu suspirei, olhei pro meu amigo, e falei:

– É sim. Mas foi a última coisa que deu errado.
– Ué… porquê?

Eu sorri, meio forçado, meio me forçando, meio com o restinho de boa vontade que eu sei que tá lá dentro de mim:
– Porque eu estou mandando.

 

 

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Às vezes a gente não quer fazer nada (e isso é ok)

Pra ler ouvindo essa linda música cuja letra não tem muito a ver com o tema, mas o ritmo combina com o sentimento:

Eu tive mais de uma semana de procrastinação da vida. Em parte porque eu estava sobrecarregada com outras coisas, em parte porque meu namorado voltou de uma temporada em outro país e eu só queria me agarrar nele e matar as saudades.

Mas a verdade é que, também, eu não queria fazer nada.

Eu não sei o que acontece com a nossa geração de insatisfeitos. Também não sei dizer se nossos pais eram mais felizes com seus planos de carreira, conformados em formar uma família, criar os filhos, casar. Em irem do estágio à gerência na mesma empresa, ter aposentadoria, carteira assinada, INSS, empréstimo na Caixa. Eu não sei se nós estamos felizes todos os dias ganhando pouco nos nossos empregos PJ porque “largar tudo e ser feliz na Alemanha” é um sonho distante e irreal pra 99% das pessoas que estão se sentindo incompletas sentadas em cadeiras (muito mais que) oito horas por dia.

 

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Sei que às vezes a gente cansa de tudo e precisa de um tempo do mundo. Que atrasa os prazos, perde e-mails, coisas acontecem e fazem com que a gente não vá aos eventos, às festas, na academia. Esquecemos até de cuidar de nós mesmos.

Eu não usei maquiagem, prendi o cabelo num coque, fechei os olhos e fui sendo levada pela inércia e pelo tédio que às vezes é necessário pra gente tentar acalmar o coração e colocar a cabeça no lugar. Não fiz vídeo (mas anotei muitas ideias), não fiz post (mas tenho vários na manga), não respondi mensagens, não atendi ligações.

Me estiquei na cama com a pessoa que eu amo, abracei minha sobrinha com catapora (“não pode bincá Tia Dani, tô com popoquinha”), comprei minha câmera nova. Comi brie e tomei vinho falando besteira e dando risada. Era isso que eu precisava.

Acho que amor é minha cachaça. E acho que deixar tudo pra depois me fez perceber que eu só vou me sentir inteira quando aprender a fazer tudo com amor, fazer o que amo, amar o que faço, em todos os aspectos da minha vida.

Não é esse o maior aprendizado que a gente tenta levar da vida?

(PS: Em tempo, obrigada. Que nossa vida seja repleta de noites de brie, vinho e risadas.)

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Casa nova: morando com amigos

Quando eu saí da casa dos meus pais alguns anos atrás foi pra morar com meu ex-namorado da época. Ele já morava numa kitnet e eu passava 6 dias da semana lá, então resolvemos alugar um apartamento maior pra nós dois. Eu comprei algumas coisas, móveis e eletrodomésticos e outras ele já tinha. Moramos juntos três anos e, quando o relacionamento terminou, vi que seria difícil voltar pra casa dos meus pais! Você aprende a fazer tudo do seu jeito e fica complicado ter que voltar a dar satisfação de horário com vinte e sete anos nas costas…

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Fui morar sozinha num apartamento pequeno encontrado meio às pressas, por causa da situação toda. Aos poucos, fui comprando minhas coisas, ganhei outras e conquistei muita independência. Precisei tomar conta de tudo sozinha, conciliar faxina com pagamento de contas e todo o resto. Por muitas vezes foi desgastante, e morar sozinha às vezes pode ser um saco. O apartamento era pequeno demais para meus amigos estarem sempre lá, então eu acabava passando muito tempo sozinha. Chegar em casa e não ter um ser vivo pra conversar pode ser um saco.

Recentemente achei um apartamento legal e conversando com o Bam (ele também tem um blog, entra lá), um dos meus melhores amigos, resolvemos dividir. Alugar apartamento é um perrengue, precisei mudar às pressas pra entregar o antigo, mas deu tudo certo!

Ou seja: só não morei em república, mas já estive em várias configurações de casa. É bom saber que tem alguém ali caso você sofra um acidente (nas últimas semanas morando sozinha, caiu um pote pesado na minha cabeça e precisei chamar o SAMU sozinha, foi meio bizarro).

Estou há algumas semanas na casa nova e gostando muito! O apartamento novo tem mais espaço, é mais iluminado e venta mais. Também tem uma cozinha maior, e eu que adoro cozinhar fiquei muito feliz! A gente ainda não tem nem móveis pra preencher o espaço, mas aos poucos tudo se ajeita…

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Conforme for decorando meu quarto novo, posto aqui. Estou muito animada pra deixar esse cantinho com a minha cara :)

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A expectativa e a realidade de morar em São Paulo.

Em dezembro do ano passado completei dez anos morando em São Paulo. Morei em Atibaia, a 60km da capital, dos 6 aos 17 anos. Cresci lá. Fui adolescente revoltada em uma cidade do interior que na época não tinha gays assumidos, McDonald’s ou pessoas de cabelo colorido. Aprendi a tocar baixo e tive a primeira banda de meninas da região. Beijei uma menina escondido com a certeza de que estava fazendo alguma coisa errada. Pintei o cabelo de rosa e velhinhas escondiam seus netos quando eu passava. Beijei um cara na frente do meu ex-namorado no ensaio de uma peça de teatro. Briguei pela primeira vez. Apanhei. Alugava van pra vir até aqui assistir show no Hangar 110, e quando voltava pra casa, roubávamos energia do poste pra fazer um show na rua. Dei meu primeiro mosh. Fiquei bêbada a primeira vez e achei uma merda. Descobri que não tinha amigos de verdade. Morri de tédio.

Mudei pra São Paulo.
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No terceiro colegial, vim cheia de esperanças pra cá. Aquela cidade era realmente um aquário muito pequeno pro meu rabo de sereia. Eu pensava que ia dominar o mundo, que ia ser demais, que tudo ia ser diferente. Eu tinha muitas expectativas do que seria a vida aqui e, felizmente, muitas delas se tornaram realidade. Tive experiências incríveis no ano de 2003, também conhecido como o melhor ano da minha vida. O pessoal que conheci na escola, os amigos do fotolog, as experiências bizarras, as verduradas… Meu primeiro amor de verdade – platônico, obsessivo, que acabou resultando num relacionamento que deu errado -. Vieram outras meninas, outros meninos, a descoberta do que era o sexo de verdade. Os primeiros porres homéricos. Os anos sem comer carne. Anarquia era uma utopia. Mudei meus conceitos de vida, política, e amor. O coração partido pela primeira vez. Ficar sem chão. Descobri que alguns amigos vão embora junto com os anos dourados.

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A verdade é que morar aqui me deu muitas oportunidades que alguns amigos que lá ficaram não tiveram. Hoje trabalham em lojas, lanchonetes e me acham esnobe por querer escrever e ter passado por agências de publicidade. Mas ora, eu sempre quis escrever. Guardo até hoje o cartaz da peça em que atuei, sobre a ditadura militar, estampado por um poema meu. Dizem que o dinheiro e a cidade grande me subiram a cabeça. Que meu rabo de sereia nunca foi grande coisa e agora eu estou num mar grande demais.

A terra da garoa pode te mudar demais, te deixar cansado. Os poros entupidos da poluição, as olheiras fundas das noites sem dormir ouvindo os carros passando na avenida… Mas eu não trocaria nada disso. Eu ainda sou aquela menina que quer mudar o mundo e a visão das pessoas sobre tudo o que é diferente. Agora eu tenho voz, e minha voz vai mais longe. Tomei muito tapa na cara e muita coisa não foi como eu imaginava. Não sou uma escritora famosa, não estou casada com filhinhos de moicano e allstar, não viajei o mundo. Mas fui longe.

Fui longe.

 

A vida é o melhor remédio

Nos últimos oito meses, mais da metade dos casais que eu conhecia terminaram seus relacionamentos. Ouvi dizer que o ano passado era um ano de mudanças – se era pra algo sair da sua vida, aconteceria em 2012. Já 2013 é um ano de renovação, de começar de novo, de definir novos caminhos. Você pode pensar que essa baboseira esotérica é uma perda de tempo, e talvez seja. Só sei que um casal que eu conhecia desde a escola, terminou. E vários outros também.

Hoje eu encontrei essa amiga de escola no ônibus. Ela me contou que de repente não sentia mais que o casamento valia a pena. Que era tudo muito sem sentido, acordar ali do lado daquela pessoa que sim, era incrível, mas não pra ela. Você pode amar e admirar alguém e não querer estar ao seu lado. Acontece.

Mas o vazio que toma conta de nós após mudanças tão grandes pode nos fazer definhar. O medo do novo, a incerteza de decisões. Essa menina emagreceu dez quilos que ela definitivamente não estava precisando emagrecer. Disse que não quer voltar com o ex, mas sua rotina perdeu o sentido. Como voltar a viver normalmente depois de dez anos acordando ao lado da mesma pessoa? Eu estou num relacionamento há quase dois anos e meio e nem me lembro mais como era antes de conhecê-lo.

Vou contar um segredo pra vocês: tudo bem ficar triste. A gente aprende a viver aqui nessa existência. Ninguém nasce sabendo. A tristeza faz parte de todo ser humano. A insatisfação  constante  é o que te faz ter a força de vontade para seguir em frente, começar de novo, terminar um relacionamento de dez anos e buscar um novo amor. Se  demitir de um emprego e resolver ir viajar para o outro lado do mundo. Largar toda a sua profissão pra fazer uma coisa completamente diferente que você amou mas nunca fez.

Quando quiser desistir de tudo, desista. Mas desista apenas pra começar coisas novas. Eu sei, e sei muito bem, que a vida cansa demais. Que às vezes você acorda sem encontrar nenhum sentido em nada, sua rotina parece ridícula e você pensa “eu preciso fazer alguma coisa que vá mudar completamente a vida como eu conheço”.

O que eu tenho pra dizer é: faça essa coisa. Pense bem e a encontre. Se atire aos tubarões sem medo. Quem sabe você não acaba nadando com eles?

Quando a vida cansa, lembre-se que ela mesma é o melhor remédio.

Só depende de você.

O que você faria se fosse seu último dia?

Estava lendo esse post no incrível blog Fat Mum Slim e me peguei pensando. O que você faria se hoje fosse seu último dia na terra? Tudo isso por causa de um comercial da Disney.

Quando não temos certeza do nosso prazo de validade, passamos os dias vivendo pras coisas: comprar um sapato, uma roupa, um apartamento. Fazer coisas, criar coisas, ser reconhecido por coisas. A maior parte das pessoas é assim e, pra não ser, talvez seja preciso um espírito elevado o suficiente e ainda não cheguei lá. Viver para si e para os outros, por mais que nós queiramos que seja verdade, não é a realidade da maioria.

Só que no último dia, tudo seria pelos outros. Se eu morresse amanhã, faria um piquenique. Ia torcer pra ser um dia de sol, pra estender minha toalha debaixo de uma árvore no parque mais bonito e comer chocolate, coxinha, sanduíche, suco, refrigerante. Ia encher meu Chicó de beijo, rolar na grama com um cachorro desconhecido, cantar uma música com os olhos cheios de lágrimas. Isso pra mim é felicidade e é pura, porque esses são os momentos que a gente sempre lembra. Carros, casas, móveis… essas coisas a gente esquece e deixa pra lá. Depois de um tempo se tornam inutilizáveis, são vendidos ou doados.

Pessoas não. Pessoas, por mais que nos magoem ou chateiem, ficam.

Ou talvez, no final das contas, escolhesse passar meu último dia na Disney.

O que você faria?

Escolhas da vida e tudo o que acontece por causa delas.

Hoje acordei pensando nas escolhas que a gente faz na vida e como elas, mesmo pequenas, afetam completamente todo o nosso universo.

Quando mudei de volta pra São Paulo, em 2002, eu iria para o terceiro colegial no ano seguinte. Precisei escolher entre estudar no Etapa, do outro lado da rua, ou precisar pegar duas estações de metrô para o Objetivo na Av. Paulista. Não consigo lembrar porque escolhi o Objetivo apesar da fama que o acompanhava: colégio de vagabundo, de playboy delinquente, maconheiro, ninguém estuda, só tem gente maluca. Talvez tenha sido justamente por isso que eu escolhi. Havia passado anos demais numa cidade do interior que eu era ‘diferente’ e havia cansado disso. Queria conviver com outros ‘marginais’ como eu – que não tinha nada de marginal além do preconceito de senhoras de cidade pequena. Eu queria ter amigos de cabelo colorido e que gostassem de shows de punk rock. E encontrei. Só tenho a agradecer minha mãe que me deixou estudar lá, ou agradecer ao destino por minha mãe não ficar sabendo da má fama da escola antes de me matricular.

Lá fiz amigos que nunca vou esquecer, mesmo porque um deles tatuou meu braço anos depois. Íamos pra shows juntos e conhecemos muitas pessoas, inclusive o amigo que me levou pra prestar vestibular pra design gráfico – o que eventualmente, por mais bizarro que possa parecer, me levaria a trabalhar com mídias sociais e ser feliz.

Também lembrei que ano passado eu quase trabalhei num lugar e se eu tivesse sido contratada, por motivos que não convém contar aqui, eu não estaria morando com o Chicó hoje. E que muitas vezes questionei minha decisão de mudar de profissão porque todos meus amigos da faculdade estavam ganhando dinheiro e com a vida indo pra frente enquanto eu engatinhava numa profissão nova que ninguém sabe direito o que é.

Não sei como seria minha vida se eu tivesse ido estudar no Etapa, se tivesse ido trabalhar nesse outro lugar, se tivesse ficado em Atibaia com as mesmas pessoas de sempre, se hoje não morasse com Chicó, se não tivesse mudado de área e começado do zero quando todos meus amigos de faculdade estavam ‘crescendo’ e se tornando adultos e eu me sentia estagiária de novo. Acho que fiz as escolhas certas por mais que elas soassem erradas tantas vezes.

E essa é uma boa conclusão a se chegar.