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Locker

Amor não é cadeado.

De um ano pra cá eu precisei mudar completamente o modo como eu vejo a vida e os relacionamentos. Porque cada caso é um caso e a gente nunca sabe o que vai acontecer amanhã. A vida pode reservar muitas surpresas e nem sempre as coisas acontecem do jeito que a gente espera, ou prefere, mas eu tenho certeza que tudo acontece porque tem que ser assim.

Pensando na minha situação hoje, eu vejo como tudo o que aconteceu no último ano (e não foi fácil) foi mais do que necessário pra me ensinar a amar de uma forma que eu pudesse aprender o suficiente pra conseguir estar na situação que estou hoje (com uma pessoa que está em outro país).

Ontem ele estava me contando que quando falou de mim pra uma colega de trabalho, ela perguntou se eu não fico brava por ele estar lá. Ele disse que eu sinto saudade. E é isso. Eu jamais me sentiria brava pela pessoa que amo estar seguindo um sonho e tentando se encontrar – eu fico feliz todos os dias com cada conquista dele, pessoal ou profissional, porque amor é assim. Claro que eu sinto saudade. Claro que às vezes dá ciúme. Claro que eu passo a maior parte do tempo querendo viver todas essas coisas novas ao lado dele, e não apenas recebendo as fotos. Mas não era pra ser assim dessa vez. E quem sabe, mais pra frente, a gente viva coisas novas juntos em outros lugares.

Um dos símbolos mais bizarros de um ‘relacionamento feliz’, pra mim, são os cadeados colocados na Pont des Arts, em Paris, que agora começaram a ser “adotados” por alguns casais em São Paulo também.

O cadeado é, pra mim, o símbolo de tudo que um amor não deve ser. Precisei aprender na marra que amar é deixar ir, e o que é pra ser nosso fica. Que o amor vai além da consumação física, vai além da distância, vai além do que queríamos. Prender a pessoa ao seu lado não faz com que ela seja mais sua.

Que sera, sera. Ninguém é dono de ninguém e nem nunca vai ser. Você sempre está correndo o risco de ficar sozinho a qualquer instante, por qualquer motivo.

Amar é deixar livre. Ficar precisa ser uma escolha. Sua, do outro.
E quando isso acontece naturalmente, tem um sabor muito mais doce.

PartidasSaudade

Saudade não tem tradução.

Outro dia eu quis dizer pra uma pessoa que não fala português que eu estava com saudade. E tentei explicar de todos os jeitos como é esse sentimento que ferve nosso peito. Essa ausência palpável que vira uma massa gelatinosa nos sufocando na cama quando os primeiros raios do dia atravessam a janela. Que é quase visível na cadeira vazia ao nosso lado no cinema. A falta da companhia no banho, no sonho, na fome. O comentário sobre uma música, filme ou livro qualquer que fica perdido no silêncio. Agarrar o cheiro no travesseiro quando ele nem está mais lá.

Saudade não tem tradução. E talvez seja uma coisa muito nossa, muito brasileira, sentir tanta saudade. Saudade de tempos que não voltam mais, de pessoas que não voltam mais e até de músicas que não se ouve mais. Eu tenho saudades de subir nos pés de manga do meu quintal em Atibaia, da adrenalina que surgia com o medo de cair de uma altura de mais de dois metros. Saudades de ir na Galeria do Rock antes de um show no Hangar 110 e comprar um álbum do Dominatrix com o dinheiro do meu primeiro emprego. Saudades  de um milhão de beijos que eu nunca dei, dos olhos que nunca decorei qual a cor, de cheiros que nem sei mais quais são.

Quando a gente ama, dá saudade todo dia, antes mesmo de se despedir. Saudade por antecipação, ansiedade pelo próximo beijo que pode ser dali a duas, doze ou um milhão de horas. E tem a saudade que não se sabe quando vai acabar. Aquele adeus sem data de volta, sem passagem comprada. “Um dia, quem sabe”. Eu guardo no meu peito uma mistura dessas duas que é quase fatal. Mas que me leva adiante.

PartidasSaudade

 

Então eu disse pra esse amigo que saudade é quando a gente quer muito que alguém esteja perto, mas a pessoa não está. E eu sei que foi uma explicação pobre e pouco abrangente. Mas talvez ele precisasse amar as pessoas, as coisas e a vida como um brasileiro ama  pra conseguir entender. Não tem Copa do Mundo que vá ensinar a um estrangeiro como fazer isso.

Só uma brasileira pode.