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A Kim Gordon é uma mina como a gente

Uma das maravilhas de ter o Kindle é que agora não me sinto mais culpada por ter mil livros acumulando pó na minha casa então tenho lido bastante. No fim do ano terminei de ler A Garota da Banda, o livro escrito pela Kim Gordon – que se você morou numa caverna nos últimos 30 anos e não sabe disso, é a baixista/vocalista/pessoa maravilhosa do Sonic Youth.

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Estou há tempo querendo escrever uma resenha mas precisei de uns dois meses pra algumas coisas fazerem sentido na minha cabeça. A principal delas é que eu nunca havia imaginado que a Kim Gordon, aquela mulher foda que a gente viu nos palcos pela última vez no Brasil no SWU anos atrás, era uma mina como a gente. Que ela está sujeita a ser insegura, dependente, manter relacionamentos nocivos e abusivos e se sentir perdida.

Vem cá, Kim. Me dá um abraço.

O livro é leitura obrigatória para quem gosta de Sonic Youth, mas não só isso. Pra ser sincera eu não sou fã da banda, não sabia cantar nenhuma música antes de ler o livro, mas ler o que há por trás do processo criativo delas me fez buscar, ir atrás e ouvir com “outros ouvidos” (existe isso?). Acho importante principalmente para mulheres envolvida com o rock e outras áreas dominadas majoritariamente por homens. Mulheres no geral, que já tiveram relacionamentos abusivos, que se sentiram inseguras ou que achavam que precisavam de validação masculina em algum ponto.

Kim, Joan Jett, Annie Hall (St Vincent) e Lorde no tributo ao Kurt Cobain, de quem Kimzinha era BFF.

Não sei qual a etiqueta quando se faz resenha do livro que é a biografia de uma artista cujas notícias sobre sua vida íntima saíram em portais, porque não existe spoiler na vida real, mas caso vocês não saibam a Kim foi casada por muitos anos com seu colega de banda Thurston Moore, que foi parceiro no trabalho e na vida até ela descobrir anos de traição e a parada degringolar. Ela fala bastante sobre isso e dá pra ver (não acho que ela tenha feito questão de esconder, na verdade) que ainda está muito triste com a situação toda.

Ela também fala sobre como nunca soube muito bem o que estava fazendo, que tentava se portar de certas maneiras e que nunca acreditou no seu talento. Que achava que deveria estar fazendo outra coisa, da sua paixão por arte. Fala sobre não saber se estava sendo uma boa mãe, achar que não nasceu praquilo e que a vida de casada mais parecia o que ela “deveria estar fazendo” e não o que realmente queria estar fazendo. Enfim, todas aquelas coisas que nós, mulheres simples do dia a dia, também sentimos e passamos.

Eu chorei lendo esse livro. Chorei quando ela percebe os padrões que seguia nos relacionamentos. Chorei quando ela fala sobre se sentir uma intrusa em diversas situações. Quando fala da separação e da traição, e quando fala de Kurt Cobain. Toda essa emoção foi por pura identificação, mesmo. Você imagina qualquer mina sendo insegura e tendo problemas emocionais, mas pô, a Kim Gordon? Pois é.

Lido, aprovado, recomendadíssimo.
Comprei o meu na Amazon por 22 reais.

 

Caio e eu.

Quando conheci Caio eu tinha uns catorze anos. Ele estava no fundo da última prateleira que ninguém vê, aquelas com livros que você não precisa ler pra fazer prova então noventa por cento dos adolescentes nunca chega perto. Foi amor à primeira vista pois ele parecia me compreender, me enxergar sem nunca ter me visto. Me ver sem nunca ter me olhado. E seu jeito de fazer isso era tão natural que me encantava.

Guardei Caio em um canto de mim como se fosse um segredo que só eu soubesse. Tinha ciúmes de dividi-lo com outras pessoas. Para isso eu já tinha Vinicius… Caio era meu anjo caído, minha alma gêmea, meu amor doentio, meu irmão perdido. Por anos e anos foi assim até que o resto do universo descobriu a beleza de suas palavras. E como fizeram com Clarice, o tiraram de contexto. Transformaram em pílulas de auto ajuda, o rivotril do Facebook.

Pra entender Caio é preciso conhecê-lo por completo, saber sua história, ler seus contos mais divertidos – aqueles em que parece que você está sentado com ele em um boteco da Bela Vista, tomando uma cerveja e o observando fumar seu cigarro – até os mais obscuros, quando ele desacredita da vida e do amor. Quando ele se cobre de negro e você chora junto aquelas lágrimas de quem já viveu demais, mesmo sem ter passado por nada daquilo. Porque é uma dor que você entende e se identifica sem nunca ter visto.

Deixe que ele tome conta de sua alma como tomou conta da minha. Que compreenda teus monstros.

Sem preconceitos, sem aplicativos ou frases soltas.

Não sei quando foi que te colocaram pra vergonha, quando fizeram parecer que teus sentimentos mais obscuros são livro pra adolescente. Mas em mim nunca morre a esperança de que o mundo inteiro saiba o grande artista que você foi.

Pra sempre te serei fiel, meu Caio.
Pra sempre.

 

O escritor gaúcho Caio Fernando Abreu descobriu ter o vírus do HIV em 1994, falecendo dois anos depois, aos quarenta e oito anos. Entre seus diversos contos, meu favorito é “Caixinha de Música”, que pode ser encontrado no livro Morangos Mofados,

Dica de livro: O Hipnotista

Eu tenho essa coisa de amor à primeira vista com certos livros. Olho pra capa e já quero comprar, aí leio a orelha de fico com mais vontade ainda. Foi assim com O Hipnotista, que vi numa promoção da FNAC e acabei nem levando, numa tentativa fake de controlar meus impulsos consumistas. Aí estava procurando uma leitura light no aeroporto, esperando meu vôo pro Rio de Janeiro, e dei de cara com ele. Pronto. Precisei comprar.

Se você gosta de séries policiais como CSI, Law & Order, The Mentalist, Criminal Minds… vai adorar esse livro. Se você se confunde com nomes de personagens, não vai gostar porque vai chegar um ponto em que não vai entender mais nada e vai querer pular pro final. E isso não vale, hein?

A história – escrita por um casal que adota o nome de Lars Kepler – começa quando um adolescente sobrevive à chacina de sua família. Como ele está em choque, um famoso hipnotista – que não pratica a técnica há muitos anos por motivos até então não revelados – é chamado para realizar só mais uma hipnose que pode salvar a vida da irmã do adolescente, que não estava na casa na hora. A partir daí, a história se desenrola numa trama de jogos mentais e pequenos detalhes que fazem toda a diferença depois!

Recomendo muito! Fiquei vidrada no livro e, quando peguei pra ler mesmo – no rio não tive muito tempo – terminei em poucos dias. Agora estou com aquele sentimento pós-livro-bom, uma síndrome do abandono bibliotecário, sabe? Hahaha!

Tem alguns na minha listinha de próximos. Comecei a ler um livro de contos do Stephen King – Ao Cair da Noite – há alguns meses e parei para ler, pela primeira vez, Christiane F.  Não retomei porque confesso que Christiane F foi pesado demais pra mim na época e eu precisei de um tempo. Agora estou afim de ler “O Cemitério de Praga”, do Umberto Eco e “Se Eu Morrer Antes De Você”, de Allisson Brennan. Mas cada visita às livrarias adiciona mais uns cinco na minha listinha.

E vocês, o que estão lendo?