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Sexo, lágrimas e amor gay em Azul É A Cor Mais Quente

Ontem fui com algumas amigas ao cinema assistir o filme sensação da comunidade LGBT no momento: Azul É A Cor Mais Quente. Dirigido por Abdellatif Kechiche, o filme é inspirado nos quadrinhos da francesa Julie Maroh e conta a história de uma adolescente – Adele – que, no processo de descobrir sua sexualidade, se apaixona por uma menina – Emma.

O filme tem um clima tenso. Quem passou por um processo parecido na adolescência ou em qualquer fase da vida vai se emocionar com a confusão de Adele ao perceber que não segue o ‘padrão’ de suas amigas e tentar se aceitar, conhecer pessoas gays e começar a frequentar o ‘círculo’. E qualquer pessoa que já teve um relacionamento também vai se emocionar com a necessidade do outro, a vontade de agradar, a frustração por não conseguir e a dor.

É uma história triste e isso nada tem a ver com o fato de retratar um casal lésbico. É um filme sobre o amor, a descoberta, a perda. Sobre se tornar adulto e entender tudo o que vem com isso.

Agora, sobre a falada cena de sexo, eu tenho uma opinião que talvez não reflita a da maioria das lésbicas e bis que vi falando nas redes sociais sobre o filme. Na intenção de mostrar que Emma e Adele sentem muita atração uma pela outra, e que Adele se entrega completamente à relação – na descoberta do corpo de outra mulher, em todos os detalhes, o diretor perdeu um pouco a mão. É uma cena de sexo explícito (mesmo) que dura quase dez minutos e que mais parece um showcase de sexo gay. É tipo ‘ei, olha aqui tudo o que sabemos e podemos fazer’. Infelizmente não é assim que acontece com todo mundo, ainda mais na primeira vez com uma pessoa – e pior ainda se é a primeira vez que você faz sexo com alguém do mesmo sexo. Qualquer pessoa que tenha uma vida sexual ativa sabe que a primeira vez é estranhíssima. Em alguns momentos eu fiquei até um pouco ofendida tamanha a forçação de barra. É sexy? Sim. Mas não parece real. Parece pornografia, mesmo. E, pra mim, é bem claro que é a visão de um diretor homem e heterossexual sobre o que é ou deveria ser o sexo lésbico.

Isso sem contar o casal que aproveitou esses dez minutos pra transar atrás de mim. No cinema. Que não estava vazio.

Azul É A Cor Mais Quente é um filme triste, forte, longo (são quase três horas) e pesado. Eu gostei muito, e é tocante.

Mas fica um conselho: se você fica constrangido com cenas de sexo, espere pra assistir em casa.