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Gustavinho e o direito dos ruivos.

Gustavinho era um menino lindo. Tinha os olhos azuis da cor do céu , era inteligente, o melhor da sala. Falava muito bem, tinha talento nos esportes, aprendeu a ler antes que os outros.

Gustavinho era perfeito, só tinha um pequeno probleminha: era ruivo.

gustavinho

Vocês sabem, né? A pessoa não pode ser ruiva por aí, na frente dos outros. Imagina só se os seus filhos vissem um ruivo na rua? “Meu Deus, mamãe, aquele menino é ruivo! Acho que vou virar ruivo também”. E aí, pronto… de repente, o país inteiro viraria ruivo! Onde será que ia parar essa história? Até você, moreno de nascença, ia ter que virar ruivo também. Mesmo não querendo. Porque é assim que acontece… Se todo mundo virou, você também tem que virar, e aí quando se vê não há mais miscigenação no nosso país… Não tem mais moreno, loiro, negro… todo mundo vai ser ruivo e a vaca vai pro brejo.

Mas Gustavinho nasceu ruivo. Sua mãe não é ruiva, nem seu pai. Eles não sabem de onde ele pode ter herdado isso, mas nasceu assim. Seu pai não aceita e vive tentando pintar o cabelo do menino. Já tentou o preto, castanho, e até o azul. Não adianta. Depois que ele toma banho, a tinta sai e no fim das contas, Gustavinho volta a ser quem é: ruivo. Ruivíssimo. Com a cabeça pegando fogo.

O menino falava “Mas papai, eu não escolhi. Nasci assim, não posso mudar. É quem eu sou”. Sua mãe o defendia: “Alberto, deixa o menino ser ruivo, eu só quero vê-lo feliz!”. 

Na escola, já não tinha amigos. Os pais, mal educados, ensinaram às crianças que se você ficar perto de um ruivo, pode virar ruivo também. E aí já era, né? Onde vai parar o país, todo mundo vira ruivo, a vaca vai pro brejo, etc etc etc. Então ninguém brincava com Gustavinho, e alguns meninos malvados colocavam o pé pra ele tropeçar. Ele se isolou.

Até que Gustavinho cresceu. Descobriu que existem outros ruivos no mundo, festas pras ruivos, guetos de ruivos. Encontrou pessoas como ele, e pessoas que não eram como ele mas que não ligavam pra cor de seu cabelo. Um dia, os ruivos foram à rua em protesto: queriam casar! Ter filhos, que poderiam ser ruivos ou não! Queriam adotar crianças morenas, loiras, castanhas e negras!  Imagine só o absurdo.

Mas Gustavinho estava feliz, porque agora um homem formado, já não via diferenças. Ele sonhava com o dia em que ruivos, morenos e loiros poderiam conviver em harmonia num mundo de amor onde não se visse a cor do cabelo, da pele ou do coração. Um mundo em que o amor pudesse ser preto, branco ou multi colorido. Era um idealista, esse Gustavinho. Queria andar na rua e não chamar atenção por ter a cabeça de fogo. Queria ser mais um no meio da multidão. Era um otimista. E não pararia de lutar até conquistar todos os seus direitos.

 

Que história mais absurda, né?

Pois é… É tudo ficção. Afinal, até parece que você não ia querer ter um filho ruivo…

A não ser que ele fosse gay. Porque aí, imagine só? Onde o mundo vai parar? Agora é que a vaca vai pro brejo…

 

(Esse texto contém ironia. Achei melhor avisar, já que tem gente que não entende. Gustavinho sou eu, é você. Gustavinho somos todos nós que queremos viver num mundo onde se possa amar sem ser julgado. Amor não vê sexo. Nem cor de cabelo, pele ou coração.)

Fui assistir Priscilla – o Musical!

Ganhei de aniversário do Chicó um par de ingressos pra nós dois irmos assistir Priscilla – O Musical! Fiquei super feliz porque eu queria muito ir assistir essa peça, mas a grana tava curta e não estava conseguindo ir. Ele acertou em cheio no presente, sou fã de musicais e sempre me emociono :) Fomos na quinta-feira passada e eu fiquei absolutamente encantada!

O musical é baseado no filme australiano que todo mundo conhece: Priscilla, a Rainha do Deserto. O filme e a peça contam a história de três darg queens que vão de Sydney até Palm Springs, no deserto australiano, para um show. Elas fazem a viagem a bordo de um ônibus caído apelidado de Priscilla. O musical é cheio de músicas como “I Say A Little Prayer”, “It’s Raining Men”, “MacArthur Park”, “I Will Survive”, entre outras… afinal, o musical fala de drag queens, né?

Os figurinos são incríveis. Já vi vários musicais aqui no Brasil (ainda não tive a oportunidade de sair do país e realizar meu sonho de ver um musical na Broadway) mas esse foi o figurino que mais me encheu os olhos. Os atores e dançarinos são ótimos, o cenário super bem pensado, e a história emocionante… até o Chicó que é hetero adorou! Hahaha. Na frente do teatro Bradesco tem um sapato enorme de glitter… difícil foi conseguir tirar uma foto em que aparecesse a gente e o sapato…

Recomendo muito a todo mundo que ainda não assistiu. Queria voltar e levar minha mãe, ela iria adorar as músicas!

Agora preciso levar o Chicó num musical não tão GLS. O primeiro que ele viu na vida foi quando fomos ano passado assitir a Mamma Mia! O próximo será Familia Addams, se tudo der certo. Aí eu volto aqui pra contar pra vocês o que achei, combinado?

SERVIÇO:
Priscilla – O Musical

Teatro Bradesco – Shopping Bourbon
Rua Turiassú, 2100 – Perdizes – São Paulo/SP
Qui. e Sex. 21h, Sáb. 17h e 21h, Dom. 16h e 20h
Mais infos: Site Oficial 

 

 

Será que ela é? Há grandes chances de que ela não seja.

Mas e se for, qual o problema?

Hoje, voltando do almoço, meu namorado (sim, um homem) me manda um link com um texto falando que eu ia ficar irritada ao ler. E fiquei: lá estava ele, mais uma vez, o preconceito explícito contra as bissexuais e a generalização de tabus que nós estamos sempre tentando derrubar. No blog Casal Sem Vergonha, publicaram um texto com o título “Será Que Ela É? – Como Saber Se Ela Também Curte Mulher”. No texto, dão uma lista de fatores que significam que sua namorada pode ser bissexual – e você pode aproveitar essa idéia para, que maravilha, fazer sexo à três.
Primeiro de tudo, sou bissexual desde que me entendo por gente. Nunca quis fazer um menage a trois com qualquer namorado meu, porque acho que as coisas devem ser separadas. Não quero ficar com outra pessoa enquanto namoro, seja ela homem ou mulher – a pessoa que está comigo me basta porque a amo, e ponto final.Claro que algumas meninas curtem, mas pra isso não precisa ser bi: algumas mulheres podem se sentir atraídas por outras naquele momento devido à sexualidade do momento. E, no dia seguinte, vão continuar gostando de homem como sempre.
Aliás, quem mais ficou revoltada com a generalização em meu twitter (@daniellecruz) foram minhas amigas heteros. Elas diziam “ué, sou lésbica/bi e não sabia!”. Se excitar vendo filmes pornõ com mulheres não significa que sua namorada é gay ou bi, cabe dentro da ‘situação sexual’ que é excitante, como eu disse anteriormenteao falar do menage. Mulheres heteros acham outras mulheres bonitas e olham e conversam SIM – algumas delas (apenas algumas) porque querem marcar o território e é melhor ficar amigo de uma mulher do que fazer cara feia e dar a chance de ela te dar moral. Aliás, mulher nunca teve esse problema em falar que “fulana é bonita” porque esse negócio de ‘homens não acham homens bonitos’ foi outro preconceito idiota imposto por uma sociedade machista. Beleza a gente vê no que quer.
Sua namorada se deu super bem com uma amiga e tá trocando a maior idéia. Ótimo. Ela não é ciumenta, madura e gostou de alguém que você também gosta. SCORE!

Gosto musical não influencia nada – eu nunca gostei de MPB e sou bissexual. Tenho horror à barzinho com voz e violão. Minhas amigas heteros adoram.

Outros pontos como falar de sexo sem tabus, não demonstrar preconceito, ter amigos gays e gostar de ir em lugares GLS só significa que você fez uma ótima escolha ao namorar uma garota heterossexual de cabeça aberta, que não acha que somos diferentes só por causa do que temos entre as pernas.

Em tempo: eu passei a adolescência tomando banho com amigas pelas quais nunca tive qualquer tipo de atração. Mulheres reparam em outras mulheres sim, mas não com desejo e sim com crítica. O peito dela é bonito, mas será que é mais bonito que o meu? Se sua namorada pergunta se você acha o peito de fulana bonito, é porque quer ouvir “o seu é muito mais lindo, meu amor”.

Ser descolada, moderna ou alternativa é outro preconceito burro, assim como achar que meninas que não usam maquiagem ou salto não são gays. Eu amo maquiagem e salto – que só não uso por um problema no pé – e conheço lésbicas assumidas e extremamente femininas. Assim como conheço meninas heterossexuais que são ‘moleques’, andam de bermuda, e não estão nem aí porque gostam do que é confortável e não ligam para vaidades.

Cada um tem o direito de se sentir à vontade com seu próprio corpo, jeito ou sexualidade. Quer saber se sua namorada é bi, lésbica ou quer ficar com uma mulher? O que funciona sempre em qualquer relacionamento é o diálogo. Se você tem vontade de fazer sexo à três ou está apenas curioso, pergunte à ela.

Ah, e se você quiser que sua namorada receba um ótimo sexo oral, é melhor aprender do que entregar ela nas mãos de outra menina. Afinal, ela deve estar esperando justamente por isso.

E deixe o preconceito e a generalização pra lá, por favor. Assim podemos todos ser felizes.

 

(Esse post foi publicado originalmente no Sapatomica, site em que sou colaboradora. Não planejo ‘agredir’ ninguém, assim como respeito o Casal Sem Vergonha e seu conteúdo, mas acho que esse tipo de post trata de um assunto delicado demais para ser abordado dessa maneira. Por isso, resolvi escrever essa resposta, depois de anos de preconceito. É nisso que eu acredito – combater o preconceito e a generalização contra gays, lésbicas, trans, bis, e todo tipo de sexualidade que vocês chamam de ‘alternativa’. Nunca acreditei que o Casal tenha feito com a intenção de disseminar o ódio, apenas fizeram um post tratando de um assunto que não tem informações o suficiente pra falar, mas esta é minha luta.)