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Mixtape #8 – Pride Week

Estamos na semana do Orgulho LGBT 2013! A cidade de São Paulo tem uma programação intensa que termina com a Parada Gay no domingo. E não estou falando só de festa não: tem a feira cultural no centro, a Diversity Run, Gay Day no Hopi Hari e até a “Closet Parade”, que leva armários customizados para as ruas ;P

Estou animadíssima esse ano e por mais que nenhum amigo meu vá estar aqui no feriado, estou louca pra bater cabelo em alguma festinha! Quem me acompanha?

Pra esquentar preparei uma mixtape especial e coloridíssima <3 Just between us girls: dá o play, bee!

#8 – Pride Week from daniellecruz on 8tracks Radio.

Obrigada a todos os amigos queridos do Facebook que deram sugestões!

Clique aqui pra ir no meu perfil no 8tracks e ouvir todas as minhas mixtapes. Pra acompanhar essa tag e ver todos os posts da série 52 mixtapes, clique aqui!

 

gustavinho

Gustavinho e o direito dos ruivos.

Gustavinho era um menino lindo. Tinha os olhos azuis da cor do céu , era inteligente, o melhor da sala. Falava muito bem, tinha talento nos esportes, aprendeu a ler antes que os outros.

Gustavinho era perfeito, só tinha um pequeno probleminha: era ruivo.

gustavinho

Vocês sabem, né? A pessoa não pode ser ruiva por aí, na frente dos outros. Imagina só se os seus filhos vissem um ruivo na rua? “Meu Deus, mamãe, aquele menino é ruivo! Acho que vou virar ruivo também”. E aí, pronto… de repente, o país inteiro viraria ruivo! Onde será que ia parar essa história? Até você, moreno de nascença, ia ter que virar ruivo também. Mesmo não querendo. Porque é assim que acontece… Se todo mundo virou, você também tem que virar, e aí quando se vê não há mais miscigenação no nosso país… Não tem mais moreno, loiro, negro… todo mundo vai ser ruivo e a vaca vai pro brejo.

Mas Gustavinho nasceu ruivo. Sua mãe não é ruiva, nem seu pai. Eles não sabem de onde ele pode ter herdado isso, mas nasceu assim. Seu pai não aceita e vive tentando pintar o cabelo do menino. Já tentou o preto, castanho, e até o azul. Não adianta. Depois que ele toma banho, a tinta sai e no fim das contas, Gustavinho volta a ser quem é: ruivo. Ruivíssimo. Com a cabeça pegando fogo.

O menino falava “Mas papai, eu não escolhi. Nasci assim, não posso mudar. É quem eu sou”. Sua mãe o defendia: “Alberto, deixa o menino ser ruivo, eu só quero vê-lo feliz!”. 

Na escola, já não tinha amigos. Os pais, mal educados, ensinaram às crianças que se você ficar perto de um ruivo, pode virar ruivo também. E aí já era, né? Onde vai parar o país, todo mundo vira ruivo, a vaca vai pro brejo, etc etc etc. Então ninguém brincava com Gustavinho, e alguns meninos malvados colocavam o pé pra ele tropeçar. Ele se isolou.

Até que Gustavinho cresceu. Descobriu que existem outros ruivos no mundo, festas pras ruivos, guetos de ruivos. Encontrou pessoas como ele, e pessoas que não eram como ele mas que não ligavam pra cor de seu cabelo. Um dia, os ruivos foram à rua em protesto: queriam casar! Ter filhos, que poderiam ser ruivos ou não! Queriam adotar crianças morenas, loiras, castanhas e negras!  Imagine só o absurdo.

Mas Gustavinho estava feliz, porque agora um homem formado, já não via diferenças. Ele sonhava com o dia em que ruivos, morenos e loiros poderiam conviver em harmonia num mundo de amor onde não se visse a cor do cabelo, da pele ou do coração. Um mundo em que o amor pudesse ser preto, branco ou multi colorido. Era um idealista, esse Gustavinho. Queria andar na rua e não chamar atenção por ter a cabeça de fogo. Queria ser mais um no meio da multidão. Era um otimista. E não pararia de lutar até conquistar todos os seus direitos.

 

Que história mais absurda, né?

Pois é… É tudo ficção. Afinal, até parece que você não ia querer ter um filho ruivo…

A não ser que ele fosse gay. Porque aí, imagine só? Onde o mundo vai parar? Agora é que a vaca vai pro brejo…

 

(Esse texto contém ironia. Achei melhor avisar, já que tem gente que não entende. Gustavinho sou eu, é você. Gustavinho somos todos nós que queremos viver num mundo onde se possa amar sem ser julgado. Amor não vê sexo. Nem cor de cabelo, pele ou coração.)

Banda nova: BOY

Outro dia estava pelo YouTube viajando por vídeos de bandas que nunca tinha ouvido falar – um dos melhores jeitos de descobrir bandas legais, já que outras bandas desconhecidas muitas vezes usam as mesmas tags ou são do mesmo selo e aparecem nos vídeos relacionados – e vi o clipe de uma banda chamada BOY. Pensei “ué, depois do GIRLS, fizeram BOY?” e fui ver o clipe meio descrente. Bem…

 

A BOY é uma banda de Zurique composta por duas meninas: Valeska Steiner e Sonja Glass. O som lembra muito Feist, feliz e bonitinho ao mesmo tempo. Dá vontade de sair dançando. Fora o clipe, que é uma delícia:

O outro clipe da música mais lenta delas é bem bonitinho, também. Vocês também ficaram com a impressão de que elas são namoradas? Tentei descobrir mas elas só falam alemão na fanpage, e como a banda é super independente ficou difícil arrancar informação de algum lugar…

Namoradas ou não, fica a dica de música boa pra animar a sexta-feira ;)

Será que ela é? Há grandes chances de que ela não seja.

Mas e se for, qual o problema?

Hoje, voltando do almoço, meu namorado (sim, um homem) me manda um link com um texto falando que eu ia ficar irritada ao ler. E fiquei: lá estava ele, mais uma vez, o preconceito explícito contra as bissexuais e a generalização de tabus que nós estamos sempre tentando derrubar. No blog Casal Sem Vergonha, publicaram um texto com o título “Será Que Ela É? – Como Saber Se Ela Também Curte Mulher”. No texto, dão uma lista de fatores que significam que sua namorada pode ser bissexual – e você pode aproveitar essa idéia para, que maravilha, fazer sexo à três.
Primeiro de tudo, sou bissexual desde que me entendo por gente. Nunca quis fazer um menage a trois com qualquer namorado meu, porque acho que as coisas devem ser separadas. Não quero ficar com outra pessoa enquanto namoro, seja ela homem ou mulher – a pessoa que está comigo me basta porque a amo, e ponto final.Claro que algumas meninas curtem, mas pra isso não precisa ser bi: algumas mulheres podem se sentir atraídas por outras naquele momento devido à sexualidade do momento. E, no dia seguinte, vão continuar gostando de homem como sempre.
Aliás, quem mais ficou revoltada com a generalização em meu twitter (@daniellecruz) foram minhas amigas heteros. Elas diziam “ué, sou lésbica/bi e não sabia!”. Se excitar vendo filmes pornõ com mulheres não significa que sua namorada é gay ou bi, cabe dentro da ‘situação sexual’ que é excitante, como eu disse anteriormenteao falar do menage. Mulheres heteros acham outras mulheres bonitas e olham e conversam SIM – algumas delas (apenas algumas) porque querem marcar o território e é melhor ficar amigo de uma mulher do que fazer cara feia e dar a chance de ela te dar moral. Aliás, mulher nunca teve esse problema em falar que “fulana é bonita” porque esse negócio de ‘homens não acham homens bonitos’ foi outro preconceito idiota imposto por uma sociedade machista. Beleza a gente vê no que quer.
Sua namorada se deu super bem com uma amiga e tá trocando a maior idéia. Ótimo. Ela não é ciumenta, madura e gostou de alguém que você também gosta. SCORE!

Gosto musical não influencia nada – eu nunca gostei de MPB e sou bissexual. Tenho horror à barzinho com voz e violão. Minhas amigas heteros adoram.

Outros pontos como falar de sexo sem tabus, não demonstrar preconceito, ter amigos gays e gostar de ir em lugares GLS só significa que você fez uma ótima escolha ao namorar uma garota heterossexual de cabeça aberta, que não acha que somos diferentes só por causa do que temos entre as pernas.

Em tempo: eu passei a adolescência tomando banho com amigas pelas quais nunca tive qualquer tipo de atração. Mulheres reparam em outras mulheres sim, mas não com desejo e sim com crítica. O peito dela é bonito, mas será que é mais bonito que o meu? Se sua namorada pergunta se você acha o peito de fulana bonito, é porque quer ouvir “o seu é muito mais lindo, meu amor”.

Ser descolada, moderna ou alternativa é outro preconceito burro, assim como achar que meninas que não usam maquiagem ou salto não são gays. Eu amo maquiagem e salto – que só não uso por um problema no pé – e conheço lésbicas assumidas e extremamente femininas. Assim como conheço meninas heterossexuais que são ‘moleques’, andam de bermuda, e não estão nem aí porque gostam do que é confortável e não ligam para vaidades.

Cada um tem o direito de se sentir à vontade com seu próprio corpo, jeito ou sexualidade. Quer saber se sua namorada é bi, lésbica ou quer ficar com uma mulher? O que funciona sempre em qualquer relacionamento é o diálogo. Se você tem vontade de fazer sexo à três ou está apenas curioso, pergunte à ela.

Ah, e se você quiser que sua namorada receba um ótimo sexo oral, é melhor aprender do que entregar ela nas mãos de outra menina. Afinal, ela deve estar esperando justamente por isso.

E deixe o preconceito e a generalização pra lá, por favor. Assim podemos todos ser felizes.

 

(Esse post foi publicado originalmente no Sapatomica, site em que sou colaboradora. Não planejo ‘agredir’ ninguém, assim como respeito o Casal Sem Vergonha e seu conteúdo, mas acho que esse tipo de post trata de um assunto delicado demais para ser abordado dessa maneira. Por isso, resolvi escrever essa resposta, depois de anos de preconceito. É nisso que eu acredito – combater o preconceito e a generalização contra gays, lésbicas, trans, bis, e todo tipo de sexualidade que vocês chamam de ‘alternativa’. Nunca acreditei que o Casal tenha feito com a intenção de disseminar o ódio, apenas fizeram um post tratando de um assunto que não tem informações o suficiente pra falar, mas esta é minha luta.)

ZangiefKid, bullying, e essas coisas as quais sobrevivi.

Ontem eu assisti, completa, a entrevista com Casey Hanes, que ficou conhecido como Zangief Kid depois de destruir um bully que enchia o saco dele há séculos. O menino virou herói do mundo inteiro simplesmente por ter dito um basta.
Me perguntaram se violência é realmente o caminho – não, não é. Mas passar anos sendo aloprado CANSA. Ele poderia, com o tamanho que tem, ter arrebentado a cara do magrelo até ele morrer. Mas não. Ele derrubou o moleque e foi embora, provavelmente com medo, mas aliviado.

Na entrevista ele diz que pensou em se matar. É horrível ouvir isso de uma criança, mas, bem, vou contar uma história que contei ontem pro meu namorado. Eu sofri muito quando era criança por ter saído de São Paulo (de uma escola que gostavam de mim e teve até festa de despedida) pra ir pra Atibaia, na primeira série. E crianças são más, porque não sabem o quanto isso afeta o outro. As meninas da minha classe faziam PLANOS, gastavam dias pensando em coisas pra me humilhar na frente de todo mundo. Fingiam ser minhas amigas pra descobrir meus segredos (de quem eu gostava, o tipo de segredo que você tem na primeira série) e escrever na lousa. Enfim, todo tipo de maldade – violência física, emocional, psicológica – que uma criança pode fazer elas fizeram comigo até a quinta série chegar e com ela outras meninas que vieram de fora e se tornaram minhas amigas também. Eu era estranha – magrela, de óculos, usava o cabelo na cara pra esconder sei lá o que e era um tanto agressiva na adolescência, também – e isso nunca facilitou muito as coisas pra mim.

Depois disso eu vivi o preconceito mais uma vez ao me apaixonar por pessoas do mesmo sexo que eu, e ás vezes mais ainda por não achar que eu deveria escolher entre me apaixonar por meninas ou meninos.

Mas eu sobrevivi, a gente sempre sobrevive. Na época não tinha twitter, youtube e vídeos de pessoas dizendo que essa merda toda melhora. E, sabe, às vezes só alivia, mas nunca passa completamente. Nós, as minorias – os tatuados, gays, estranhos -, seremos sempre alvo de olhares tortos e comentários maldosos. O que melhora é o valor que você dá a isso. Agora eu não me importo em não ser a mais popular, a mais bonita, a dona do blog mais famoso, a loirinha hétero fã de pagode, a it girl. E pronto, é isso que me dá a paz que eu preciso pra continuar sendo quem eu sou.

Eu só mudo se eu quiser.

É. Acho que no fim das contas, it gets better.

não escolhi nascer dani – o fiasco do mackenzie homofóbico.

Eu estudei no Senac e criamos, logo no começo do meu curso (lá pelos idos de 2005) a comunidade no Orkut “Senac é mais… diversidade!”, uma brincadeira com o slogan que a faculdade usava na época. Por ter cursos relacionados a artes e comunicação, havia uma comunidade LGBT considerável e ser gay nunca foi uma questão lá. Professores gays, coordenadores gays, e tudo bem. Sua orientação sexual não importava ali naquele ambiente. Não deveria importar em ambiente nenhum.

Pessoas são pessoas e não importa com quem elas gostam de fazer sexo.

Quanto a mim, não escolhi nascer Dani. Nasci assim, fruto da sementinha que papai colocou na barriga da mamãe. Eu amo quem eu amo, e isso não deveria fazer diferença pra ninguém. Nem pros meus amigos, nem pra minha família e muito menos pra minha faculdade.

Pra quem não está entendendo o gancho do post, hoje o Mackenzie se declarou contra a lei que caracteriza homofobia um crime (veja a declaração e leia a matéria aqui no blog da folha). Citando salmos da bíblia a Universidade afirma que o direito de expressão será tolhido se essa lei for aprovada.
Eu, realmente, não sei o que dizer sobre isso. Fico triste pelos alunos da instituição de ensino CABEÇUDA que é o Mackenzie. Fico triste por saber que uma instituição que deveria passar conhecimento aos jovens se preocupa em plantar a semente do preconceito.

Ninguém escolhe ser gay, e eu já falei sobre isso nesse post aqui. É muito mais difícil ser algo que não é aceito por todo mundo. É muito mais difícil saber que a sua forma de amar não é compreendida de todas as formas. Não é minha escolha, não é minha opção, nós NASCEMOS assim e provavelmente vamos morrer assim. Sinto muito, senhor reverendo nicodemus whatevers, mas os seus alunos vão continuar sendo gays não importa o que a tua bíblia tenha dito.

Da mesma forma que ninguém escolhe nascer negro, japonês, gordo. Nós nascemos do jeito que nascemos e qualquer tipo de discriminação deve SIM ser considerado crime. NÃO É LIBERDADE DE EXPRESSÃO ter o direito de ofender ou agredir outro ser humano por qualquer que seja o motivo.

Que vergonha, Mackenzie. Que vergonha.