O amor e tudo mais

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17 abr 2013

O inferno dos vinte e poucos anos.

Vou contar uma coisa pra vocês e talvez as leitoras mais jovens fiquem um tanto frustradas com a constatação: ter vinte e poucos anos não é fácil. É tão complicado, ou até mais, do que a terrível realidade que acompanhamos nas duas temporadas da série Girls. Com certeza veio daí o sucesso: se a Lena Dunham conseguiu descrever tão bem é porque o inferno dos vinte e poucos anos é um fenômeno universal e talvez não esteja acontecendo só comigo mas também com todo mundo que finge ser feliz na internet.

Eu me formei em Comunicação Visual, mesmo sabendo que sempre quis escrever. A primeira grande escolha que precisei fazer na vida – qual faculdade iria fazer – e já comecei errado. Quando me formei a muito custo entrei na crise existencial que eu pensei ser a pior de todos os tempos: e agora? Não quero ser designer e nem tenho talento para tal. Acho lindo a parte artística – me dê tinta, papel colorido e luzes de natal pra reformar uma cômoda e eu vou achar incrível – mas ter que repensar mil vezes a disposição de blocos de texto numa página definitivamente não era pra mim. Não tenho talento pra ilustração, o que me fazia o patinho feio da classe em que estudei, e logo me senti excluída da maior parte dos assuntos e encontros.

Mas eu escrevia. Eu usava as palavras de forma que aquelas pessoas nunca usariam, nem mesmo durante uma conversa normal. O que eu estava fazendo ali?

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Numa época não muito longe dessa eu perceberia que tal questionamento iria abranger muito mais do que minha escolha de ensino superior. Empregos errados, relacionamentos bizarros, e até o modo como eu me vestia: tudo parecia uma forma na qual meu bolinho não se encaixava. Até hoje me olho no espelho e enxergo um grande ‘WTF?’ estampado na minha testa.

Ter vinte e poucos anos é isso? É não saber pra onde devemos ir? Minha mãe com minha idade já criava um filho, casada, e eu estava quase a caminho.

Tenho vinte e sete anos e nem sei se estou na profissão certa. Parece que algum detalhe me passou em branco, como quando eu procurava o Wally nos livros e tinha certeza que já havia olhado a página centímetro por centímetro: ‘Onde esse filho da mãe está?’. Minha vida e meus desejos são um grande livro de Onde Está Wally. O que é que eu estou perdendo? Com certeza tem algum detalhe que vai fazer toda a diferença e provavelmente está gritando na minha frente mas eu não consigo ver.

Tudo parece um sonho, um sonho errado, daqueles que a gente corre corre e não chega a lugar nenhum. Tenta acordar, em vão, e quando consegue pensa que preferia ter continuado dormindo.

Ninguém me avisou que passar pelos vinte anos era tão complicado assim – talvez porque as gerações passadas encarassem essa fase de forma completamente diferente. Não é fácil aqui. Pra vocês está tudo bem? Eu estou sozinha nessa?

Eu tenho vinte e sete anos.

Pra onde é que eu vou agora?

 

*foto por César Ovalle

15 abr 2013

Gustavinho e o direito dos ruivos.

Gustavinho era um menino lindo. Tinha os olhos azuis da cor do céu , era inteligente, o melhor da sala. Falava muito bem, tinha talento nos esportes, aprendeu a ler antes que os outros.

Gustavinho era perfeito, só tinha um pequeno probleminha: era ruivo.

gustavinho

Vocês sabem, né? A pessoa não pode ser ruiva por aí, na frente dos outros. Imagina só se os seus filhos vissem um ruivo na rua? “Meu Deus, mamãe, aquele menino é ruivo! Acho que vou virar ruivo também”. E aí, pronto… de repente, o país inteiro viraria ruivo! Onde será que ia parar essa história? Até você, moreno de nascença, ia ter que virar ruivo também. Mesmo não querendo. Porque é assim que acontece… Se todo mundo virou, você também tem que virar, e aí quando se vê não há mais miscigenação no nosso país… Não tem mais moreno, loiro, negro… todo mundo vai ser ruivo e a vaca vai pro brejo.

Mas Gustavinho nasceu ruivo. Sua mãe não é ruiva, nem seu pai. Eles não sabem de onde ele pode ter herdado isso, mas nasceu assim. Seu pai não aceita e vive tentando pintar o cabelo do menino. Já tentou o preto, castanho, e até o azul. Não adianta. Depois que ele toma banho, a tinta sai e no fim das contas, Gustavinho volta a ser quem é: ruivo. Ruivíssimo. Com a cabeça pegando fogo.

O menino falava “Mas papai, eu não escolhi. Nasci assim, não posso mudar. É quem eu sou”. Sua mãe o defendia: “Alberto, deixa o menino ser ruivo, eu só quero vê-lo feliz!”. 

Na escola, já não tinha amigos. Os pais, mal educados, ensinaram às crianças que se você ficar perto de um ruivo, pode virar ruivo também. E aí já era, né? Onde vai parar o país, todo mundo vira ruivo, a vaca vai pro brejo, etc etc etc. Então ninguém brincava com Gustavinho, e alguns meninos malvados colocavam o pé pra ele tropeçar. Ele se isolou.

Até que Gustavinho cresceu. Descobriu que existem outros ruivos no mundo, festas pras ruivos, guetos de ruivos. Encontrou pessoas como ele, e pessoas que não eram como ele mas que não ligavam pra cor de seu cabelo. Um dia, os ruivos foram à rua em protesto: queriam casar! Ter filhos, que poderiam ser ruivos ou não! Queriam adotar crianças morenas, loiras, castanhas e negras!  Imagine só o absurdo.

Mas Gustavinho estava feliz, porque agora um homem formado, já não via diferenças. Ele sonhava com o dia em que ruivos, morenos e loiros poderiam conviver em harmonia num mundo de amor onde não se visse a cor do cabelo, da pele ou do coração. Um mundo em que o amor pudesse ser preto, branco ou multi colorido. Era um idealista, esse Gustavinho. Queria andar na rua e não chamar atenção por ter a cabeça de fogo. Queria ser mais um no meio da multidão. Era um otimista. E não pararia de lutar até conquistar todos os seus direitos.

 

Que história mais absurda, né?

Pois é… É tudo ficção. Afinal, até parece que você não ia querer ter um filho ruivo…

A não ser que ele fosse gay. Porque aí, imagine só? Onde o mundo vai parar? Agora é que a vaca vai pro brejo…

 

(Esse texto contém ironia. Achei melhor avisar, já que tem gente que não entende. Gustavinho sou eu, é você. Gustavinho somos todos nós que queremos viver num mundo onde se possa amar sem ser julgado. Amor não vê sexo. Nem cor de cabelo, pele ou coração.)

18 mar 2013

Voltar com o(a) ex. Será que dá certo?

Recebi um e-mail de uma leitora que pediu pra eu falar sobre voltar com ex-namorado, relacionamentos que terminam e voltam, quando vale a pena voltar.

Eu acho isso muito delicado e varia de acordo com cada relacionamento. Então vou falar com base nas minhas experiências pessoais – e nas das pessoas próximas a mim:

Eu acho que se terminou é porque não estava dando certo. E é muito difícil mudar suas atitudes pra que dê certo mais uma vez. Às vezes (nunca aconteceu comigo) os namoros terminam por outros motivos – distância, falta de tempo… esses fatores não dependem da personalidade ou atitude de ninguém, são apenas circunstâncias e obstáculos que precisavam ser vencidos. Nesse caso, se há disposição e ainda há amor, acho que super vale a pena mais uma tentativa.

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Ted e Victoria de How I Met Your Mother – torci por eles nas duas vezes que não deu certo…

Acontece que não é esse o cenário da maioria dos términos, certo? A gente termina porque briga demais, porque não gosta de alguma coisa na outra pessoa, porque suas atitudes nos fazem infelizes, porque acabou o amor ou o tesão. E se algo incomodava tanto antes, porque voltar pra essa situação?  Nesse caso, você precisa ponderar se vale a pena passar por todos os perrengues que passava antes.

Vejo acontecer muito casais voltando a namorar porque não gostam de ficar sozinhos. E isso não costuma dar certo porque você volta pra uma relação que te fazia infeliz e fecha totalmente os caminhos pra conhecer gente nova que pode te proporcionar um namoro muito bom. E aí, se acabar de novo, você vai sofrer tudo o que já sofreu da primeira vez.

Eu sempre parti do princípio que, se acabou, não era pra ser. A gente nunca pode ficar esperando que a outra pessoa descubra de repente que te ama e vai te tratar como uma princesa/príncipe. Posso parecer uma realista sem coração, mas nunca é bom esperar algo de outra pessoa pra não se decepcionar. É melhor sempre se surpreender com coisas boas do que se frustrar quando o que você espera não acontece, né?

Enquanto isso, porque em vez de gastar suas energias com um namoro que já te trouxe dor, você não se foca em si mesma? Já postei aqui há muito tempo atrás os sete passos da Oficina do Desapego pra você dar a volta por cima e superar. Um reboot na auto-estima pra poder conhecer gente nova e se valorizar! Amor próprio é a chave de tudo na vida, e nesse caso não poderia ser diferente!

No fim, cada amor é um amor e só você sabe o que é melhor.

O que vocês acham? Já foram felizes num relacionamento “reciclado”? Figurinha repetida completa álbum? Contem pra mim nos comentários! :)

21 fev 2013

Namoro: predadores existem, sim.

Hoje vou falar de um assunto pesado, mas espero que toque alguém. Às vezes tem uma pessoa perdida por aí que pode se identificar, que nunca teve coragem de conversar sobre isso com um amigo ou parente.

Estava assistindo um programa na televisão chamado “Com quem $#@% me casei?”, que conta a história de pessoas que depois de se casarem descobriram que a pessoa tinha problemas muito sérios. Fiquei analisando meus relacionamentos passados, e pensando em algumas histórias que me contaram recentemente.

A gente acha que isso é coisa de filme ou novela, mas predadores existem, sim. Eu tive uma pessoa assim em minha vida e a melhor coisa que me aconteceu foi o namoro ter acabado. Você pode ter se relacionado com um e não ter nem reparado. Não importa se é homem, mulher…

Predadores são sedutores. Não precisam ser as pessoas mais bonitas do ambiente, mas vão te conquistar. Você conversa com o cara e ele parece ser super inteligente, namorou meninas bonitas, tem algum talento. Quando você vê, se apaixonou. Ele te trata bem, até ter certeza de que você não vai embora.

Predadores vão te colocar pra baixo e acabar com sua auto-estima. Eu ouvi coisas absurdas como “se a gente terminar, ninguém vai querer namorar com você, você vai ficar sozinha pra sempre”. A pessoa faz você acreditar que é burra, que é feia, que não é boa o suficiente. E isso é uma merda, porque é exatamente isso que eles querem. Esse tipo de gente se aproveita de pessoas que estão ou são frágeis. Como auto-estima nunca foi meu forte, eu atraía esses tipos a torto e a direito.

Predadores vão te trair, sim, simplesmente porque eles não dão a mínima. E como são sociopatas sem o menor tato, podem mentir descaradamente sem nenhum sinal de remorso. Ou pior, falar na sua cara que realmente te traíram e não estão se importando com isso. Eles podem se tornar violentos fisicamente, além do abuso emocional. Além de exaustivo, é perigoso. E você sente medo.

Muitas vezes, depois que você termina o relacionamento, eles continuam vindo atrás como se nada tivesse acontecido. Fazem de tudo pra você continuar sofrendo e não suportam a ideia de que você tenha seguido em frente.

Esse não é meu ex-namorado, mas poderia ser.

Esse não é meu ex-namorado, mas poderia ser.

Estou escrevendo esse post porque às vezes, como foi meu caso, a gente nem se liga de que está num relacionamento assim. Hoje eu namoro com alguém que me acha linda e fala isso não só pra mim como pra outras pessoas. Que me dá carinho, diz que me ama. E aí você vê a diferença e percebe que aquilo não era um relacionamento decente. Eu tenho um amigo que namorava uma menina assim e só percebeu depois de três anos. Um dia ele acordou e viu a tudo que tinha se submetido. Pegou as coisas e foi embora.

O que eu aprendi é que a gente nunca deve se contentar com pouco. Nunca ninguém pode te dizer que você não é boa o suficiente e precisa dar graças a Deus por ter alguém mesmo que essa pessoa não seja boa pra você. Eu já vi muitas pessoas nesse tipo de relacionamento e me corta o coração.

Você pode SIM, terminar a hora que bem entender. Ficar sozinha não é tão ruim quanto parece. Dê espaço para aparecer o amor de verdade e pra aprender a se amar antes de tudo.
E entenda: amor passa.

Principalmente quando você vê a furada em que se meteu!

PS: Se você acha que precisa de ajuda pra sair dessa, em São Paulo existe um grupo de apoio chamado Mulheres Que Amam Demais Anônimas. Você também pode procurar a ajuda de um psicólogo pra entender e buscar forças pra sair de uma situação de abuso. Em caso de abuso físico, SEMPRE denuncie e procure a polícia. Terminar não é o suficiente – ele pode agredir outras mulheres depois de você! Se você quiser, me escreva um email, minha caixa de entrada está aberta pra vocês.

06 fev 2013

A vida é o melhor remédio

Nos últimos oito meses, mais da metade dos casais que eu conhecia terminaram seus relacionamentos. Ouvi dizer que o ano passado era um ano de mudanças – se era pra algo sair da sua vida, aconteceria em 2012. Já 2013 é um ano de renovação, de começar de novo, de definir novos caminhos. Você pode pensar que essa baboseira esotérica é uma perda de tempo, e talvez seja. Só sei que um casal que eu conhecia desde a escola, terminou. E vários outros também.

Hoje eu encontrei essa amiga de escola no ônibus. Ela me contou que de repente não sentia mais que o casamento valia a pena. Que era tudo muito sem sentido, acordar ali do lado daquela pessoa que sim, era incrível, mas não pra ela. Você pode amar e admirar alguém e não querer estar ao seu lado. Acontece.

Mas o vazio que toma conta de nós após mudanças tão grandes pode nos fazer definhar. O medo do novo, a incerteza de decisões. Essa menina emagreceu dez quilos que ela definitivamente não estava precisando emagrecer. Disse que não quer voltar com o ex, mas sua rotina perdeu o sentido. Como voltar a viver normalmente depois de dez anos acordando ao lado da mesma pessoa? Eu estou num relacionamento há quase dois anos e meio e nem me lembro mais como era antes de conhecê-lo.

Vou contar um segredo pra vocês: tudo bem ficar triste. A gente aprende a viver aqui nessa existência. Ninguém nasce sabendo. A tristeza faz parte de todo ser humano. A insatisfação  constante  é o que te faz ter a força de vontade para seguir em frente, começar de novo, terminar um relacionamento de dez anos e buscar um novo amor. Se  demitir de um emprego e resolver ir viajar para o outro lado do mundo. Largar toda a sua profissão pra fazer uma coisa completamente diferente que você amou mas nunca fez.

Quando quiser desistir de tudo, desista. Mas desista apenas pra começar coisas novas. Eu sei, e sei muito bem, que a vida cansa demais. Que às vezes você acorda sem encontrar nenhum sentido em nada, sua rotina parece ridícula e você pensa “eu preciso fazer alguma coisa que vá mudar completamente a vida como eu conheço”.

O que eu tenho pra dizer é: faça essa coisa. Pense bem e a encontre. Se atire aos tubarões sem medo. Quem sabe você não acaba nadando com eles?

Quando a vida cansa, lembre-se que ela mesma é o melhor remédio.

Só depende de você.

10 dez 2012

Um amor que te tire o sono.

Estou escrevendo esse texto alguns minutos depois de desistir de combater a insônia. Meu corpo está cansado, minha cabeça e meus olhos também – passei o dia vendo TV, depois fui ao cinema e ainda escrevi mais um pouco. Eu deveria estar dormindo e amanhã será um longo dia de trabalho. Mas não estou, pois estou vivendo um grande amor.

Explico: meu namorado tem uma filha que mora numa cidade que fica a seis horas daqui. Quase todo fim de semana, ele viaja de ônibus para vê-la. Ela é incrível e apaixonante. Mas quando ele vai, eu fico aqui. E espero.

Eu sempre quis amar alguém por quem eu fosse muito apaixonada. Por algum motivo meus relacionamentos perdiam a graça por volta dos onze meses. Eu não queria mais estar ao lado da pessoa, me cansava da voz dela, dos beijos, do sexo. Não tinha mais a ânsia de vê-la. E eu, a última romântica, preciso dessa sensação de paixão que todo mundo diz que passa.

Pra mim, a paixão não tem que passar. Pode, sim, diminuir. Mas é muito triste quando você não tem vontade de dividir suas noites e dias com alguém. Quando sai para os lugares e a pessoa não faz mínima falta. Amor é querer dividir tudo. É assim que eu amo.

Quando conheci o meu menino em circunstâncias um tanto estranhas (acho que já contei aqui), eu não sabia que seria assim. Mas a verdade é que eu me surpreendo a cada dia com o que sentimos. Essa semana ele me mandou uma mensagem no celular dizendo que mesmo depois de mais de dois anos juntos, sentia minha falta todos os dias. Mesmo tendo saído pra trabalhar de manhã, às oito da noite já estava com saudade.

Hoje fiquei com muita saudade dele e li um texto que ele escreveu pra mim, sobre o dia em que me conheceu, num blog aleatório em que ele não escreve há mais de um ano. E eu pensei, e até postei no twitter, quesempre quis um namorado que escrevesse bem. A verdade é que o Senhor Meu Namorado é muito inteligente. E é muito bom poder admirar alguém assim. Eu sei que ele é ótimo na profissão, que tem um dom com as palavras – mesmo que as vezes eu não concorde com elas. Ele gosta de ler. E eu sou o tipo de gente que perdia toda a paixão adolescente por uma pessoa que dizia que não gostava de livros. Aí eu encontro esse cara que além de ler, escreve bem, assim. Numa entrevista de emprego. Todo descabelado.

Eu contei tudo isso pra dizer que agora estou aqui sem sono como eu fico em todos os domingos de fins de semana em que ele viaja. Eu sei que ele está num ônibus nesse minuto voltando pra mim, e deve chegar em casa por volta das seis e meia da manhã. Mesmo se eu conseguir dormir, devo acordar muitas vezes na madrugada pra ver se ele está na sala ou no banheiro, se trocando pra pular em cima de mim e me acordar com um beijo. É sempre assim. Ele nunca chega silenciosamente e dorme. Ele me acorda, me beija, diz que estava com saudade e nós nos abraçamos muito forte.

Eu estou feliz: encontrei um amor que me tira o sono.

03 dez 2012

Namoros perfeitos, exposição e como a felicidade dos outros é um veneno.

Outro dia recebi um comentário (de uma hater que eu até sei quem é, muito esperta #sóquenão) falando que eu fingia que meu relacionamento é perfeito mas esqueço de me falar sobre os problemas e as brigas. Claro que a pessoa foi muito mais pontual e agressiva, mas basicamente era isso.

Fiquei pensando nisso alguns dias pra chegar à conclusão óbvia: quem é que quer ficar falando dos maus momentos por aí?

 

Quando escolhi ter um blog há muito tempo atrás, muito antes de alguém ganhar dinheiro com isso, eu escolhi falar sobre o meu universo. Aqui, conto pra vocês sobre coisas que acontecem comigo – peças que eu vou, roupas que uso, filmes que assisto, bandas que descubro. É a minha vida e seja muita exposição ou não, é o que eu escolho mostrar.

A verdade é que eu acredito que todo relacionamento deva se basear nos momentos bons. Claro que, como todo casal, eu brigo com meu namorado. Eu sinto ciúmes, fico com raiva. E depois passa. Nós fazemos as pazes e nos entendemos porque amar é assim, morar junto não é bolinho e dividir sua vida com outra pessoa é algo que demanda muita paciência e compreensão. Não é fácil. Mas vale a pena porque é amor. E é justamente por ser um amor tão grande que continuamos sempre um ao lado do outro.

Não vou registrar, nem aqui nem no meu coração, qualquer coisa ruim que aconteça. Se você quer amar alguém de verdade e se sentir amada, recomendo que faça o mesmo. Guardar mágoa e espalhar ela por aí é um veneno muito forte. Você não perdoa o outro e não se perdoa também. E aí por estar sempre triste fica cega para as coisas boas – surpresas inesperadas, um beijo de bom dia, assistir filmes de mãos dadas.

Vivo momentos incríveis com a pessoa que amo e conto eles aqui. E é isso que desejo a todo mundo. Que dividam suas alegrias mesmo sabendo que tantas pessoas sentem inveja e ficam incomodadas com a felicidade dos outros. Quem se incomoda com a felicidade dos outros é porque passa muito pouco tempo indo atrás dos próprios momentos felizes. Se você tem tempo pra entrar no blog, instagram ou facebook de alguém pra fazer um comentário negativo (desde “seu namoro é uma bosta” até “seu cabelo era melhor antes porque assim está feio”) é porque talvez precise se focar mais em seus próprios objetivos.

Divida os momentos bons. Grite pro mundo que está amando. Beije na chuva como se ninguém estivesse reparando.

E as tristezas… ah, deixem elas pra lá :)

12 nov 2012

Amor que soma.

Amar alguém igual a você deve ser muito chato.

No começo é divertido. Vocês gostam das mesmas bandas, mesmos filmes. Vão aos mesmos lugares, tem os mesmos tipos de amigos, visitaram os mesmos países, torcem pro mesmo time. As mesmas comidas favoritas. Tudo é lindo quando, aos poucos, vocês descobrem as coincidências e todas os gostos em comum.

Amar o igual é muito fácil. Desafiador mesmo é amar o diferente.

Aquela pessoa que não gosta da sua banda favorita. Que prefere ir a shows do que a boates. Que gosta de ler livro cabeça enquanto você ama um chicklit. Essa pessoa, quando você se apaixona por ela, é um verdadeiro desafio.

E juntos vocês vão aprender várias coisas – talvez ela aprenda a gostar de Grey’s Anatomy e você se divirta muito em um show de uma banda que nunc aouviu falar. Talvez você comece a torcer pra um time de algum esporte do qual nunca foi fã e ele assista sete temporadas de uma série que nem é o estilo favorito, só pra te acompanhar.  Talvez você aprenda a comer temaki e ele resolva encarar a salada. Talvez você se pegue cantarolando uma música da banda que nem gosta.

O amor é lindo quando as pessoas dividem tudo. Mas é mais incrível ainda quando elas somam. E somam tanto à vida um do outro, que se esquecem de como o universo era antes.

22 out 2012

Às vezes a gente cai num buraco.

Já é quase novembro e começamos a entrar naquela fase em que fazemos um balanço de tudo o que aconteceu no ano e a auto-análisa começa a bater pesado. Pensamos em tudo o que fizemos e, principalmente, no que deixamos de fazer. Nos desejos de realizações dos GIFs animados compartilhados no fim do ano anterior que ficaram só na vontade.

Ainda não é a hora de fazer aquele post típico de fim de ano no qual falo de todas as coisas que aconteceram. A real é que tenho pensado muito no meu presente, no lugar da vida em que me encontro no momento. Fazendo escolhas difíceis e começando de novo em vários aspectos.

Às vezes a gente cai num buraco e isso não é feio. Não é feio ter que começar de novo em outro lugar pra ver se dá certo. Não é feio estar numa fase ruim, não ter dinheiro pra nada. Normalmente quem toma riscos na vida se encontra nessa situação.

Eu nunca tive grana pra viajar pra fora, sair do país, porque nunca tive uma situação muito boa em casa de dinheiro. Meus pais sempre pagaram meus estudos e isso foi tudo o que eles podiam fazer no momento – não fiz intercâmbios nem fui pra Disney. Eles me ajudam com o que podem e vou ser eternamente grata por isso.

Eu sonho sempre, umas duas vezes por semana, que estou viajando. Queria poder conhecer o mundo porque parece que São Paulo ficou pequena pra mim e tem tanto que poderia ser dito sobre o resto do planeta que estou aqui gastando minhas palavras com coisas que já estão batidas.

Só que eu tenho certeza de que tudo isso acontece por um motivo. Que eu vou ser uma pessoa melhor e eventualmente vou sair dessa, com muito esforço. Que eu vou sair desse buraco sem fim e conseguir escalar o poço. Porque eu quero e preciso, é questão de sobrevivência. Porque minha mente inquieta não me deixa mais em paz. E meu coração precisa disso: de silêncio.

Eu preciso me preocupar menos. E compreender que tudo o que te transforma, não é fácil.

29 ago 2012

Eu aqui e meu amor do lado de lá…

Quem nunca amou à distância que atire a primeira pedra. Quem, da nossa geração, não teve um amor platônico que conheceu na internet e morava em outro estado. Quem não teve amor indo fazer intercâmbio, mudando de cidade pra trabalhar. Quem não foi embora do interior e deixou lá uma grande paixão. Quem não conheceu a menina linda em Pinheiros, mas você mora no Jardim Aeroporto e ela mora lá em Pirituba. Quem nunca?

Eu acho que pro amor à distância dar certo ele precisa, primeiro, ser amor de verdade. Porque a paixão vai embora nos primeiros meses de dificuldade. Um fim de semana inteiro trancado juntos no quarto e os outros quatro seguintes trancados sozinhos chorando no banheiro de saudade. Não poder fazer planos de ir ao cinema depois do trabalho, assistir TV sozinha no fim do domingo. Porque essas coisas, quando se está solteira, a gente se acostuma. Uma hora aparece alguém. Mas quando existe um objeto amoroso que está num lugar completamente diferente, mas está lá… aí é que dói.

Então se sobrevive à distância, se o amor é maior que a saudade, se a vontade de estar junto é maior que a vontade de sair pegando geral por aí, então vai dar certo. Pode apostar. Mas em nenhuma hipótese deixe que o amor doa mais vezes do que te faz sorrir. Não deixe também que a espera seja eterna – ninguém quer estar com alguém que NUNCA vai poder estar junto no mesmo estado, pelo menos.

Não perca a vontade de sonhar.

Pra um amor de longe dar certo, tem que ser amor.