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A responsabilidade das influenciadoras feministas

Durante esse ano vivenciei e presenciei situações que me fizeram pensar muito na questão das influenciadoras feministas. Temos mulheres incríveis que estudam e entendem do que estão falando, que sabem e conhecem as consequências de seus discursos. Mas com a questão do empoderamento crescendo, vimos muitas blogueiras e influenciadoras digitais se autodenominando as vozes do feminismo. Não estou aqui pra caçar a carteirinha de feminista de ninguém, mas pra propor que a gente coloque nossa mão na cabecinha e analisemos tudo o que falamos por aí.

Eu resolvi fazer este post porque nas últimas semanas vi pelo menos cinco meninas falando sobre o jejum intermitente (por alto, uma “dieta” que emagrece pacas, mas que as minas chegam a ficar 24 horas sem comer). A maior parte das minas que falaram sobre isso são mulheres adultas, com um público mais jovem pois, afinal, é a internet. E isso me deixou muito chateada.

Eu tenho compulsão alimentar. Comer, pra mim, é um vício. Eu já chorei comendo. Isso começou a acontecer comigo depois dos 23 anos. Algumas vezes, quando eu era adolescente, eu cheguei a vomitar depois de comer porque alguém comentou que eu tinha uma “barriguinha” (eu pesava 40kg e tinha 1,60, era muito magra, mas sempre tive uma barriguinha saliente que não é nenhum problema). Viver a compulsão alimentar foi, pra mim, um tapa na cara. Foi perceber o quanto eu tive problemas com minha imagem quando era adolescente e o quanto isso afetou quem eu sou hoje.

Tem uma pesquisa de 2014, feita pela secretaria de saúde do estado de São Paulo, que mostra que 77% das jovens em São Paulo apresentam propensão a desenvolver algum tipo de distúrbio alimentar, como anorexia, bulimia e compulsão por comer. E 46% afirmaram que mulheres magras são mais felizes.

Incentivar meninas a ficarem sem comer é uma enorme irresponsabilidade, ainda mais quando a pessoa se diz feminista, porque ela está afirmando que é ok sofrer, passar fome e ter atitudes não saudáveis em busca de um padrão de beleza que é inalcançável. Mas se a menina vê que a feminista falou, então parece ser ok aos olhos do feminismo, e não é. Sempre vai ter algo que poderia ser diferente no seu corpo, pra quem tem um problema com a autoimagem. Ser saudável é diferente de fazer qualquer coisa por ser magra e, principalmente, ser magra não significa ser feliz.

O feminismo vai muito além da jaquetinha rosa escrito girl power, de achar engraçado as miga drag queen e ouvir Lady Gaga e Beyoncé. O feminismo nem sempre é cor de rosa, aliás, o feminismo muitas vezes não é cor de rosa. Tem pautas pesadas e importantíssimas como aborto, estupro, disturbio alimentar, suicídio e outras coisas que no nosso mundo ideal a gente nunca falaria sobre porque elas não existiriam, mas elas existem, e precisam ser faladas por nós também.

A gente precisa sair do casulo de algodão doce e falar sobre coisas que doem também. E entender como as coisas afetam nossas leitoras, assinantes, seguidoras. O quanto o que falamos afeta tudo ao nosso redor, inclusive nossa vizinha, a colega de trabalho, a mina que sentou do seu lado no ônibus. A nossa atitude importa, não porque somos influenciadoras, mas porque somos mulheres lutando por um mundo melhor pra TODAS as mulheres, não só pra nós.

Nós, como influenciadoras feministas, temos o DEVER de problematizar, discutir, pensar mil vezes antes de fazer um post ou um vídeo, de fazer colaborações com canais que não condizem com a nossa ideologia. Porque se A GENTE abre exceções e acha que “tá tudo bem”, nós estamos dando dez passos pra trás numa luta de centenas de anos, e afirmando para as meninas que é ok. Que é ok ficar doente pra ser magra, que é ok deixar alguém fazer algo que você não gosta, que é ok ser amigo de um cara machista que abusa e objetifica mulheres, que é ok viver num mundo não feminista.

E não é ok.

  • Olá Dani, tudo bem?

    Acredito muito que é por causa de informações extremistas de pessoas que falam bastante e não entendem muita coisa sobre o assunto que eu preferi me agarrar às coisas que acredito, que tenho certeza que não certas na sociedade hoje com relação à mulher, o homem e a sociedade.
    Sou um tanto conservadora e muito observadora com o que está acontecendo. Os textos sobre feminismo, a opinião de diversas pessoas, me fizeram tomar um lado que se agarra ao bem-estar da mulher na sociedade no geral, partindo da última resolução sobre a mulher – o direito – ao voto e agora sobre as condições de trabalho, a cá o mesmo salário, entre outras coisas.

    Gostei muito do seu texto! Parabéns!