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Vivendo com a ansiedade

(Foto do destaque por Jessica Polar)

Eu nunca quis glamourizar os problemas psicológicos. Acredito que na maior parte das vezes eles são temporários (e esse tempo pode ser curto ou longo, mas ele passa eventualmente) e tratáveis. Você não precisa passar uma vida toda se apoiando em remédios e químicas pra viver e sobreviver.

Não tem nada de bonito em precisar de uma tarja preta pra dormir. Quem acha muito cool dizer que toma um “rivo” ou “cadê meu frontal” todos os dias nas redes sociais não consegue compreender a amplitude de um problema de verdade. Não deve saber o que é estar no meio da rua e achar que não vai conseguir chegar em casa porque não consegue respirar, ou precisar ir trabalhar e não conseguir levantar da cama porque alguma coisa muito pesada está te segurando lá.

Mais de uma vez, na minha vida, usaram o fato de eu tomar um remédio para me atingir. A ex de um ex, com ciúme, me chamava de “a tarja preta” pra várias pessoas, num período que eu tive uma depressão muito forte. Eu não a culpo. Ela estava com ciúmes e viveu um relacionamento abusivo com um cara idiota – eu vim a descobrir depois os efeitos que um relacionamento desse causa na gente.

A real é que eu tive uma fase muito tensa na minha vida e achei que lidaria com isso sozinha, mas eu deveria ter começado a fazer terapia ali mesmo. E isso foi virando uma bola de neve na minha cabeça e no meu coração, arrastando outras coisas e dúvidas de uma forma que se tornou o que é hoje.

Depois de muito tempo na adolescência sendo diagnosticada com mil coisas diferentes (porque médico de convênio é quase sempre uma merda, pardon my french), tomando vários remédios que nunca ajudaram em nada e de passar por um período longo (e ótimo, com altos e baixos, mas como uma pessoa normal) sem qualquer remédio, evitando até anti-gripais e paracetamol, voltei a ter crises de ansiedade e pânico.  Fui no médico, estou fazendo terapia, vou começar a fazer exercícios, estou mantendo a mente ocupada e tentando aprender formas novas de respirar, de pensar, de amar, de ver a vida.

Esse é um processo diário que depende só de mim, e por mais que o apoio das pessoas ao meu redor seja muito bem-vindo (e também a capacidade delas simplesmente não atrapalharem se não estiverem afim de ajudar) o mínimo que eu espero é compreensão. É muito fácil você julgar uma pessoa de “louca” ou “descontrolada”quando alguém está passando por um momento difícil. Porque amanhã pode ser você procurando um psicólogo, um psiquiatra, ou um amigo. Porque Transtorno de Ansiedade é a doença da vida moderna. A gente recebe muita informação e muita cobrança o tempo todo. Estamos o tempo todo online, disponíveis para sermos cobrados e julgados, e esse é um peso que chegou muito de repente na minha geração.

Não estávamos preparados pra isso e a maioria de nós não está reagindo bem.

Uma coisa que eu sinto muita falta quando estou tendo uma crise é saber que alguém passa por isso. Queria ouvir uma dica, um conselho, algo que faça passar. Então eu resolvi colocar a cara no sol pra falar sobre isso também.

Não tenho que ter vergonha de estar com um problema porque eu quero, e vou, ficar bem em breve. Então vou usar essa fase difícil pra ajudar outras pessoas também.

Por enquanto, é isso que eu digo: você não está sozinhx.

Acende uma vela, sente o cheirinho gostoso, faz um chá quentinho, ouve a chuva lá fora. Coloca uma música calma e sente cada pedacinho do seu corpo.

Pensa no seu lugar favorito.

Respira fundo.

Você não está sozinhx.

  • Vanessa

    Adorei o texto e acho que sofro do mesmo mal, já enfrentei algumas crises mais não sabia diagnosticar o problema e pressinto que terei alguns problemas futuros quanto a isso, por exemplo, na faculdade. Mais é só minha mente ficar ocupada que melhora bastante, porém, a ansiedade sempre volta =( Beijos :D

    • Oi Vanessa, tudo bem? É importante procurar um médico pra que ele possa te ajudar, e fazer terapia pra entender as causas e ajudar no tratamento :) Pra mim, a terapia, seja com um analista ou um psicólogo, é a parte mais importante do processo. Um beijo!

  • Nesse feriado (e hoje inclusive) tive (e tá tendo) uma crise de ansiedade sobre as coisas que preciso resolver e sei que não estão ao meu alcance decidir e tal. São coisas bobas como vestido pro casamento da minha amiga, pagamento que só cai no fim do mês, exames que ainda não pude buscar o resultado (mas tudo isso já me dá lombrigas para resolver logo) jobs entrando, ideias se perdendo…um turbilhão que mais parece “inferno astral”. Nem pintar o livro está me devolvendo a tal da paciência! Nem ver as séries e filmes, nem as músicas…rola até um TOC louco de abrir app, fechar app, abrir uma nova aba, fechar a aba…
    Ontem fiz algo que me ajuda, sair andando…andei da Liberdade até a Augusta (Jardins), respirando, observando as ruas, as pessoas…não resolveu 100% e ainda fiquei com dor nas pernas haha! Mas matei um tempo bom comigo, acho isso interessante. Porém, é foda quando mesmo no meio de tanto barulho o que mais incomoda é a velocidade e altura dos seus próprios pensamentos…

    Eu tô aqui pra você e sei que você tá aqui pra mim <3

    • Ontem eu também tava super mal, ia te mandar mensagem pra gente comer alguma coisa, mas tava tão drenada de energia que não consegui :( Sempre aqui pra você, nem que seja pra falar besteira em três apps de mensagem ao mesmo tempo :***

  • Fazer uma coisa depois de outra, viver um dia depois do outro… É um bom plano, mas quando vejo ploft, lá tô eu na maior crise novamente, come, come, rói as unhas, chora. Mas depois passa. Tem que passar. Até as ideias acabam gerando uma ansiedade demoníaca. Respirar fundo me ajuda. No momento o teu texto me ajudou a parar um pouco, estava ansiosa. Beijo.

    • Julia, sei que é difícil, mas ter um plano é o primeiro passo. Também é difícil pra mim, você pode ver pelo meu último vídeo como minha pele está cheia de marcas porque eu tenho “skin picking” (vou falar disso depois), e é torturante. Mas a gente tem que fazer esse plano e se lembrar dele toda vez que a crise vem. A gente chega lá. Pensa num lugar bonito. :*

  • Julia Furquim

    Dani, adorei seu relato e cada vez mais tenho percebido uma coisa que voce escreveu: voce nunca esta sozinha e sempre vai ter alguem que possa te ajudar (mesmo que seja um desconhecido), porque o mundo esta muito mais cheio de boas pessoas. Olha eu, dando uma volta ao mundo com crises de ansiedade!! rs. E, por incrivel que pareca, e onde mais estou aprendendo a lidar com ela. Vejo que em qualquer lugar do mundo tem uma pessoa pra te socorrer caso precise, mas que no fundo, nao tem motivo pra sentir desespero. Tem que parar, respirar e colocar os pensamentos em ordem. Quando a coisa esta forte recorro ao remedio, mas agora muito esporadicamente. Tudo faz parte de um exercicio diario – o que e a parte chata da historia – mas a pratica sempre leva a evolucao. O que nao da e deixar de viver, porque quanto mais se vive, mais evolui nesse aspecto :)

  • andressajordano

    Dani linda <3 Olha, eu acho que só te vi pessoalmente uma vez na vida, mas tenho uma simpatia tão grande por você <3 Também não suporto quem glamouriza essas coisas, realmente não sabem o que é ter que conviver com esse tipo de problema ou não tem ninguém querido que passe por isso. Eu não sei exatamente o que é viver com algo assim, mas minha mãe tem crises de ansiedade às vezes.

    To te mandando muuuita energia positiva pra que essa fase chata passe e você volte a ficar bem. Curioso, mas tava assistindo a um vídeo seu recente e percebi que você tava com uma carinha diferente (nada de "omg, quanta diferença" mas tinha alguma coisinha no seu rosto que me dizia que você não tava 100% ok), quis perguntar se estava tudo bem, mas achei que não tinha nada a ver e que ia ser invasivo (ah, pode ser que eu esteja viajando também. nem sei se você gravou o vídeo faz tempo, né. é que me lembrei disso porque assisti ao vídeo esses dias).

    Enfim, fica bem <3

    Tem uma frase que eu guardo pra vida que é "Isso também vai passar," lembre-se sempre disso: tudo passa. Os momentos bons passam, então viva cada segundo deles. E os momentos ruins também passam, parece que não, mas passam sim. Respira, vive um dia depois do outro, que logo você vai olhar pra trás e ver que essa fase passou ;)

  • Emília Adamo

    Sabe Dani, acho muito importante falar sobre esse assunto, não só pra gente saber que não tá sozinha, mas pras pessoas que convivem com a gente tentarem entender o que acontece. Quando eu digo que sou incapaz de virar a noite trabalhando (é pedir pra ter uma crise), sempre tem alguém que acha que é frescura.
    Já tentei fazer terapia e pra mim não funcionou, já tomei remédio, me ajudou muito na época, mas essas drogas afetam muito a nossa personalidade, eu não me reconhecia, e ainda tive que parar de tomar de uma hora pra outra porque perdi meu convênio, foi horrível! Uma vez eu tava sozinha em casa, e tive uma crise tão tensa que até liguei pro SAMU! Tinha certeza que ia morrer sabe?
    Aprendi a controlar com a respiração mesmo, é a melhor coisa, e colocar na cabeça que se a gente parar de fazer/pensar no que tá fazendo mal e que pode resultar em crise, o mundo não vai acabar. Eu ainda fico bem tensa só de falar do assunto, mas crise mesmo acho que não tenho há mais de 3 anos.
    Conversar com quem passa por isso ajuda bastante, a troca de informações e possíveis soluções dá um ânimo pra continuar seguindo em frente.

  • Tive um problema parecido também de gente difamando e fazendo fofoca por que eu usava remédios e descobriram porque um “querido” espalhou por aí. Nessa época inclusive não conseguia mais sair de casa nem pra ir pra padaria que passa mal, tive altos problemas, não gosto de falar por aí mas achei pertinente compartilhar. Acontece mais do que a gente pensa! O que me ajuda definitivamente é a medicação e me manter ocupada e fazer planejamento de semana pra me manter assim, se não a coisa fica punk. Tudo de bom pra ti, beijos! <3

  • Durante meses eu sofri achando que era estranha e quando veio o diagnóstico foi uma bomba. Já cheguei a comentar no blog mas no geral não admito que estou medicada no momento e acho até engraçado quando as pessoas comentam que eu estou “mais calma”. Amigo, não to mais calma, to dopada ok? Mas esse glamour de doença mental só existe na internet, onde deprimido é cool e ansiedade é algo tão normal. Na vida real, a pessoa te acha louca. Acho que eu precisava ler que não estava sozinha. É fácil esquecer isso quando a crise vem e você não sabe o que fazer. Mas eu não estou sozinha. Você não está sozinha. Nós não estamos sozinhxs.

  • Esse post veio no momento certo. Faz 1 semana que eu to tomando medicação por conta de crises de ansiedade. Eu lutei pra não precisar passar por isso, e o medo das pessoas me julgando e me achando louca me fez sofrer durante um bom tempo. Um belo dia, tive uma crise de pressão alta por conta da ansiedade e no pronto socorro a médica disse que era pra eu procurar um psiquiatra urgente. Não tive mais como fugir. Eu tenho me sentido melhor, mas todos os dias antes de pegar o remédio, meus olhos enchem de água porque, nossa,como eu queria não precisar passar por isso. Mas é um tratamento, e eu sei que vou melhorar. Não vai demorar, logo logo eu estarei bem.

  • Priscilla Rivera

    Oi Dani.

    Sempre fui fiel à frase “faça de ti teu próprio suporte teu
    próprio refugio”, penso que dentro de nós esta o mal e a cura para qualquer
    problema desse tipo, mas tem vezes que a coisa aperta e eu sei bem como é.

    Já passei pela situação de estar na rua e não saber se ia conseguir chegar em casa ou de não levantar da cama de tanta angustia … Sempre foi coisas
    passageiras, mas não é fácil lidar. Fiz terapia e tomei remédios naturais, não
    aceitei outros remédios porque sempre tive medo dos efeitos colaterais, a terapia ajudou a me conhecer melhor, acredito que nos conhecendo apreendemos como lidar quando as coisas não estão legais.

    Quando sinto os primeiros sintomas que algo não esta legal tento escrever, ler um livro de um dos meus autores favoritos, trabalhar minha respiração, distrair minha mente. Também percebi coisas que desencadeavam essas minhas “crises” e isso ajudou muito… Preciso sempre ter planejamento saber o que estou fazendo e o que quero, se me sinto perdida nas minhas
    metas e objetivos fico mais sucessível a me sentir mal.

    Nunca compartilhei isso com ninguém, as pessoas (incluindo minha família)
    apenas sabem que as vezes fico “estranha”… Você não esta sozinha
    Dani, e pelo jeito eu também não rs.

    Li uma entrevista com a Débora Bloch que ela dizia que as
    pessoas questionavam ela dizendo “você parece uma pessoa alegre e divertida, mas é densa” e ela respondeu assim: “Sou
    reflexiva, estou sempre questionando minhas escolhas e caminhos. Não sou
    superficial e quando você é assim as vezes se deprime.”… Acho que é mais ou
    menos por ai.

    Olha o texto desse link, tem tudo a ver tbm: http://marthahelenaperdaseganhos.blogspot.com.br/2015/04/a-dor-psiquica-possibilita-um.html

    Um super beijo.

  • victória

    pois eu demorei demais adiando responder isso aqui mas senti uma generosidade em você fazer questão de anunciar que os ansiosos não estão só que eu também quero compartilhar minhas angustias e dicas!
    é muito cansativo sentir uma crise quando você acaba de sair de outra, bate aquela sensação de fracasso como “de nooovo? depois de tudo que eu tentei???” mas eu tento pensar que com o tempo e mais tentativas vai sempre existir a evolução, sempre.
    minha dica é 1) perceber as coisas que te causam ansiedade e procurar tratá-las, 2) manter uma lista física ou mental de coisas que te fazem feliz e te inspiram <3 eu por exemplo tenho um tumblr pessoal que tem ilustrações, músicas, textinhos, mantras, conselhos, posts e qualquer coisa que me inspirou. na hora do aperreio eu vou repassando na minha cabeça e vai me acalmando e 3) meditação! sério, façam <3 e um app bom pra isso que eu uso é o sattva.

  • Nay

    cheguei nesse post num momento super difícil… em que o mundo está desmoronando na minha cabeça e cada noite que eu consigo dormir poucas horas é uma vitória… me identifiquei com absolutamente cada palavra desse texto. Felizmente conheço bem as causas das minhas ansiedades mas por hora não posso afastá-las… tenho que aprender a conviver… Psiquiatra já está marcado. Mas é bom ler todos esses relatos e saber que realmente não estamos sós…

  • supervanilla

    oi Dani, não conhecia seu blog e vim parar aqui por indicação da @hdelarosa. eu entendo e passo por tudo aí que você descreve. eu nunca fui muito ativa assim, de fazer exercícios e coisas ao ar livre, e sempre gostei muito de estar sozinha no meu canto. tenho depressão desde os 16 anos e passei por um monte de momentos horríveis que nem gosto de lembrar. hoje, aos 27, meu corpo e minha mente reagem em forma de ansiedade. fico neurótica às vezes, sem conseguir dormir porque não consigo parar de pensar bobagem, sentir sintomas físicos que muito provavelmente não existem e fico preocupada achando que vou ter um infarto a qualquer momento. falar sobre isso assim, abertamente, é meio estranho pra mim, mas me identifiquei tanto com seu post que tive que vir aqui dar o relato das coisas que eu sinto e acabo lidando todos os dias.
    também queria lembrar, durante uma crise, de que não estou sozinha e de que essa maldita doença não afeta só a mim, mas ainda não tenho esse poder, e ainda não consegui me desprender do pensamento da auto-suficiência, tanto que há anos não tomo mais remédios e ainda não criei coragem pra procurar um bom tratamento.
    mas um passo de cada vez, certo? eu não estou sozinha. ;)

    beijos!

  • Rafa Porto

    Todos vocês passam por ansiedade e horrível ter esse problema é como ter uma montanha de neve crescendo dentro de vc e do nada ela desmorona em uma avalanche de medos e sintomas físicos que as vezes faz eu pensar que esse era o fim de tudo e muito difício lutar contra vc msm por mais que eu tentei esquecer tudo e até consiga as vezes por dias ou semanas ou até meses, mais sempre volto até às mesmas sensações que fazem eu ter medo as pessoas até acham que eu sou louco por do nada mudar de expressão repentinamente até tento esconder mais e muito dificio quando começo a namorar tenho medo de passar mau na frente da namorada e depois não saber oq dizer para ela isso atrapalha meus relacionamentos talvez por isso meus namoros sempre acabam rápido por ter medo de abrir o jogo sobre o problema é ser ridicularizado ou simplesmente ser chamado de doido me escondo entre roupas caras e correntes para parecer forte por fora mais por dentro sou fraco e vulnerável me sinto as vezes um lixo e sempre tenho medo do futuro e assustado viver assim!