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O melhor show da minha vida

Já mencionei esse show aqui algumas vezes, falando da viagem pra NY ou das melhores coisas do ano, mas não contei exatamente como foi. E foi uma história tão bizarra, que eu quero muito contar!

Alguns de vocês já sabem que sou super fã do Against Me!, uma banda punk da Flórida formada no fim dos anos noventa. Ouço eles bastante há pelo menos uns dez anos e não tinha nenhuma esperança de vê-los ao vivo. A banda só ficou mais famosa aqui no brasil depois que a vocalista, Laura Jane Grace, se assumiu como transgênero (antes ela era Thomas Gabel). Laura é um exemplo por muitos motivos. Ela já era casada com uma mulher e tinha um filho, e vinha lutando internamente com isso sozinha até decidir se assumir. Toda a história é muito bonita.
Além disso, a música é muito legal. Das mais antigas, minhas favorita são Sink, Florida, Sink e Pints Of Guiness Make You Strong. O disco lançado há um ano atrás conta muito do processo de Laura virando transgênero, se chama Transgender Dysphoria Blues e você pode ouvir dando o play aí em cima.

Enfim, vamos à história – que é longa, mas divertida! 

Antes de ir eu vi que o Against Me! tocaria com o Gaslight Anthem e o Jimmy Eat World, duas bandas que eu gosto bastante, numa cidade em New Jersey. Até então eu não sabia se meu namorado poderia ir comigo. Acabei comprando dois ingressos e convenci um amigo, o Fernando, a ir também, já que ele curte Gaslight e estaria em NY no mesmo dia. Se o Rafa não pudesse ir, eu teria companhia. Compramos o ingresso pela internet e esperamos o dia chegar.

A abertura dos portões era às 19h e nos encontramos umas 16h30 na Penn Station para pegar o trem que nos levaria à cidade. Disseram que na estação haveria um traslado para o local do show. Era um dia horroroso e não parava de chover, a gente não tinha guarda-chuva… O trem era lindo, limpo, com ar condicionado e a gente foi de boa até a cidade. Chegando lá, pegamos o traslado que era nada menos que UM ÔNIBUS ESCOLAR! Foi muito legal! Sempre quis andar num ônibus escolar americano.

Eu e os meninos no PNC Bank Arts Center, em Holmdel/NJ, onde rolou o festival!

Quando chegamos lá, o show já havia começado e quem estava no palco era o Jimmy Eat World. O lugar é uma arena enorme, coberta e com cadeiras na maior parte, mas pra trás tem uma parte descoberta e gramada onde os ingressos são muito baratos. Dei graças a deus por ter investido um pouco mais na cadeira, já que chovia escrotamente. Comprei um moletom do Against Me no merch, uma cerveja gigantesca e fomos assistir. Depois que eles tocaram, começaram a montar o palco do Gaslight… foi aí qeu eu descobri: o Against Me! já tinha tocado. Fiquei puta, chorei, mas assisti o show do Gaslight com os meninos. Eu estava muito frustrada pois viajei uma hora até lá só pra ver essa banda…

Olha um pedacinho do show do The Gaslight Anthem:

 

Quando cheguei em casa, descobri que mesmo com a abertura dos portões marcada pra 19h, o Against Me! entrou no palco às 18h30 e tocou só meia hora. Muitos fãs ficaram revoltados e muita gente perdeu o show… Acordei e fui entrar na página deles pra ver se tinham falado alguma coisa e vi o seguinte: eles fariam um show em NY, no Brooklyn, razoavelmente perto de onde eu estava hospedada, naquele mesmo dia. Os ingressos custariam apenas VINTE DÓLARES e o lugar tinha capacidade pra 300 pessoas.

Os ingressos estavam esgotados. Saí desesperada atrás de alguém que tivesse comprado na venda que havia acontecido de madrugada, e encontrei uma menina. Quando eu estava saindo de casa pra buscar os ingressos, ela me mandou uma mensagem avisando que resolveu ir. Eu não desisti e fui até o local do show, que é um bar/restaurante, convencer alguém a me vender um par de ingressos.

O gerente da casa disse que ele tinha poucos ingressos pra vender na hora, mas ele só os receberia de noite. Eu contei que era do Brasil e tinha perdido eles no festival, e ele disse que reservaria meus ingressos mas eu teria que buscar às 20h. O show começaria às 23h59 (que horáriozinho pra um show de domingo pra segunda, né?). Eu topei, nós fomos almoçar no melhor hambúrguer do Brooklyn (segundo eu mesma! o lugar se chama Pop’s) e fomos pra casa descansar um pouco pois ainda estávamos quebrados da noite anterior.

Às 20h estávamos lá de volta, pegamos os ingressos e fomos matar o tempo dando um rolê pelo Brooklyn. Ai, que saudade! Tentamos ir na Brooklyn Brewery mas estava fechada, então comemos um pedaço de pizza num lugar de uns italianos doidos e fomos beber num pub muito legal chamado Lucky Dog – que além de ter funcionários legais e um terracinho fofo no fundo, você pode levar seu cachorro pra curtir. Enchemos a cara de IPA, conversamos com o bartender, e quando estava perto do  horário, voltamos para o Baby’s All Right, local do show!

Foto por Andrew St. Clair  |  www.andrewstclair.com

Foto por Andrew St. Clair | www.andrewstclair.com

 

O show era realmente pra 300 pessoas. O lugar era menor que o Hangar 110 (casa de shows alternativos aqui em São Paulo) e eu fiquei NA BEIRA DO PALCO. Tinha uma pessoa entre eu e o baixista, se eu esticasse o braço pegava no pé da Laura. O Rafa ficou um pouco mais pra trás. Como eu queria pular e ficar no meio do fervo, não levei câmera e meu celular estava um lixo (foi antes de eu trocar de iPhone) então não tirei fotos. Fiz só um vídeo pra postar no Instagram depois:

O show foi animal. Música de verdade, visceral. Até o Rafa que não conhecia curtiu bastante. Eu subi no palco dando uma cambalhota em cima de pessoas, arranquei um setlist do chão, fui abraçar a Laura e dei um beijo na boca dela sem querer, dei um mosh e consegui voltar pra frente do palco onde eu estava. Foi incrível e uma experiência que eu nunca vou esquecer! No final, muita gente subiu no palco e cantou junto. Aí rolou um mini meet and greet improvisado, eu abracei os integrantes como boa #fanzoca, tentei tirar uma foto que meu celular lixo não salvou, e fui embora com um sorriso de orelha a orelha. Aqui tem eles tocando minha música favorita do album mais recente, Black Me Out (eu provavelmente estava chorando nessa hora):

Depois eu peguei as palhetas, os ingressos, o setlist que eu roubei do palco e coloquei num quadro na minha parede. Pra nunca mais esquecer um dos dias mais felizes da minha vida. :)