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Vai passar.

Quando eu estava há alguns dias sem dormir e sem comer foi que alguém tomou a coragem de olhar nos meus olhos e dizer pela primeira vez “Vai passar”. E eu não acreditava, porque parecia que nada jamais faria sentido novamente – era como se literalmente tivessem arrancado o chão dos meus pés e nada fizesse sentido. Pra onde eu iria? Como me divertiria? Como dormiria sozinha? E a maior dúvida de todas que latejava no meu peito: aonde eu ia morar?

Quando disseram que ia passar eu não acreditei porque aquela dor toda era física, era palpável, era sufocante. Não tinha outra coisa em minha mente em nenhum momento. Não tinha apetite nem vontade de trabalhar e dormir era um grande pesadelo – acordava de meia em meia hora procurando aquelas mãos apertando meus quadris e elas não estavam lá. A verdade é que elas nunca mais estariam lá, e essa realidade fazia voltar a sensação de que tudo o que eu havia tido um dia tinha ido embora. Eu não esperava que acontecesse, não naquele momento, não daquela forma. Mas como uma morte inesperada de alguém que se foi ainda jovem, assim acabou tudo o que eu havia planejado – nossos móveis, nossos filhos, nossas viagens.

Os dias passaram. Eles continuaram falando que ia passar. Que eu sou uma mulher forte, que reconstruiria minha vida da melhor forma, que é uma oportunidade de recomeçar e que nada acontece por acaso. Tudo isso entrava por um ouvido e saía por outro porque eu simplesmente não queria ouvir e nem acreditar. Queria fechar os olhos e tirar da minha cabeça e coração tudo aquilo. Eu queria voltar no tempo e fazer diferente.

Um dia eu acordei e doía menos. Tomei banho cantando como não fazia há muito tempo. Esse dia não doeu por três minutos e meio.

A falta ainda estava lá, é claro. A saudade me pegava de jeito na hora de voltar pra casa e encontrar a sala vazia, sabendo que a casa vai continuar sem mais ninguém além de mim e dos gatos. Quando eu sei que posso comprar qualquer coisa que quiser no mercado que ninguém vai reclamar. Quando percebo que ninguém vai me pedir pra levar chocolate branco e eu vou levar, mesmo odiando.

Quando eu percebia que dormiria sozinha, a falta ainda estava lá. Mas quando eu acordei sozinha sem o despertador de outra pessoa, tomo banho com a música no volume que bem entendo, saio de toalha molhando a casa toda rebolando uma música do Haim que estou viciada e ninguém vai me apressar, eu tive cada dia um pouco mais paixão pela minha nova vida.
Porque eu vou onde quiser.
Faço o que quiser.
Converso com quem quiser.
Fico com quem quiser.

Um dia eu vou ter reconstruído toda a minha vida sem o amor que eu pensei que fosse pra sempre. Quem sabe, um dia, um novo amor venha tomar conta de tudo e derrubar os muros que eu estou construindo inconscientemente, um tijolo por vez. Mas agora, eu vejo algo que não havia antes: um espaço pra tudo o que eu sinto por mim mesma – e são só coisas boas. A diferença entre este e os 2.560.920 segundos anteriores é que eu sei que vai passar. E que talvez já tenha passado. Porque eu nem lembrava mais que tinha escrito este post e deixado nos rascunhos.

Porque hoje eu estou feliz e leve. E nem lembrava mais como era isso.

O Leminski escreveu esses versos, e deve ter sido pra mim e pra você.

leminski

Esse post todo é pra dizer que um mês atrás eu pensava que era o fim. E que se você também está pensando que é o fim, saiba que não é. Você não me ouve agora, não quer ler, me acha uma idiota. Talvez tenha fechado essa janela há muito tempo. Mas saiba que vai passar por tudo isso, os estágios do seu luto, e às vezes demora alguns dias. Às vezes demora alguns meses. Pode ser que seja diferente para homens e mulheres. Mas o que é verdade é que sim, vai passar. E tudo vai ficar bem. Um dia você vai acordar com esperança de que a vida pode sim, ser boa. Vai doer menos até o dia em que não vai doer mais.

Segura minha mão.

Isso tudo vai passar.

  • Cristie Joplin

    Chorando feito boba e feliz por você estar tão bem.
    Felicidade, Dani, você merece toda do mundo <3

    • <3 sua linda, obrigada :)))
      um passinho por vez a gente conquista o mundo.
      beijo!

  • Kika Monteiro

    Oi Dani (olha a íntima!), não te conheço, não me lembro quando
    e porque conheci seu blog -mas me identifico muito- e esse deve ser o 2º
    comentário meu aqui!

    Depois que li isso, me deu uma vontade MUITO grande de dar
    um pulo aí em SP somente pra te dar um abraço, poxa, é doloroso e amargo tudo
    isso, mas a superação tem um gosto doce, e quando tudo isso passa, você sabe
    que amadureceu e aprendeu mais um pouquinho dessa vida louca.

    Toda força do mundo!

    • Oi Kika! <3 Quando estiver por SP vamos marcar esse abracinho :) um beijo e obrigada!

  • Natalia Máximo

    Been there, done that. É muito, muito real essa história e, por mais que a gente sempre ignore os conselhos sábios (e clichês, não dá pra negar), é verdade: passa sim. O tempo cura tudo, sim. Pra alguns demora menos do que pra outros, mas o importante é que passa. Lindo, lindo texto, Dani <3

    • E quando passa a gente vê que recomeçar é muito bom :) Obrigada, linda! <3

  • Luciana Ribeiro

    Oi Dani! Fiquei triste quando vc me disse que tinha se separado..Quando começei a ler seu blog foi justamente pelos seus textos sobre seu relacionamento e tals…Mas é muito bom ver que vc está superando! Tudo nessa vida passa, e é bom temos a certeza disso! Bjus

  • Cintia

    que linda. sigo vc no instagram (@cansei), acho sua escrita uma delícia… pra mim, que trabalho com textos, isso conta muito. fiquei preocupada quando notei o que aconteceu. mas é verdade: o amor-próprio vale mais que o amor pelo outro. ame-se. o resto vem. beijos.

  • Bruna Silva

    dani, sabe que eu sigo teu blog há um tempo, um dos únicos q eu conheco q se mantêm verdadeiros na blogosfera. mas eu nunca comento aqui, enfim..

    percebi pelo face o que tinha acontecido. fiquei com vontade de te falar umas coisas, mas como vi q vc tava na bad, achei melhor não. não ia adiantar.

    q bom q vc tá moving on, é assim mesmo. há um ano terminei(terminaram) um namoro de 5 anos. 1 ano depois disso, estou morando em berlin, linda, aproveitando muito a liberdade q a vida de solteiro te traz depois de um namoro longo. você ainda vai chegar lá, vai passar mesmo, tipo meeeesmo.

    e o que tá na frente é sempre melhor, sério.

    um bjo.

    ps. ai, fiz um blogzinho besta, se quiser dar uma olhada.. http://caderninhoamarelo.blogspot.de/

  • Ge Lilian

    Dani! To passando por algo assim e devo admitir. Seu texto foi uma injeção de esperança. Ainda vou ter recaídas e chorar um pouco, mas é normal e… Vai passar.
    Obrigada pelo texto! Sensacional e ó, tem uma frase, que essa do Leminski me fez lembrar, que é: “Habitamos as estrelas e temos o universo dentro de nós”. Se cuida, beijo!

  • Nath

    Oi Dani,

    Comentei pouquíssimas vezes, mas sempre leio _todos_ seus posts.

    E eu só queria dizer que eu entendo – mesmo.
    E que vai passar – mesmo também.
    Juro.

    Tem uma lenda árabe chamada Iazul. Significa “tudo passa”. Uma pessoa muito querida me contou uma vez, anos atrás, e disse que quando você conta, ou escuta, essa história num momento de necessidade, ela ajuda imensamente a pessoa.
    Era verdade.

    Encontrei uma versão escrita dela aqui:

    “Esquece, meu bom e dedicado amigo, esquece, por um momento, as tristezas e aflitivas preocupações; livra-te dessa angústia torturante instilada em tua alma pelas incertezas da vida; senta-te, aqui a meu lado, e escuta, com religiosa atenção, a famosa lenda que os poetas árabes intitularam: Iazul! Sim é isso mesmo: Iazul!
    Em nome de Allah, Clemente e Misericordioso! Viveu, outrora, na Pérsia, meio século depois de Timur Lenk, um Príncipe, generoso e bravo, que se chamava Shack Bock. Afirmaram historiadores altamente balizados que esse glorioso Emir tinha em sua importante corte um sábio, mestre e conselheiro, cuja nobre função era orientar o monarca em suas decisões, esclarecê-lo em suas dúvidas e corrigi-lo em seus erros e injustiças. Esse ulemá, judicioso e previdente, chamava-se Ismail Hassan, e era, pelos nobres muçulmanos apelidado o Saryh (aquele que é sincero).

    Um dia muito cedo, logo depois da prece da madrugada – prece do ritual que os árabes denominam sobh – o Princípe mandou que viesse à sua presença o conselheiro da corte. Fazia todo o empenho em ser urgentemente elucidado sobre um caso que se apresentava enrodilhado pelo mistério.

    Sem perda de tempo, o ilustre Ismail, o Saryh, deixou os seus aposentos, e foi ter ao luxuoso divan (sala de audiências) do soberano persa.

    O que teria acontecido? Que caso, assim, tão grave intrigava o Rei? O monarca parecia pálido. Em sua fisionomia morena surgiam, tracejando linhas incertas, as setes rugas da intranquilidade. Depois das saudações habituais, sem mais preâmbulo, disse o Emir ao judicioso Ismail:

    – Acabo de receber, do Khorassan, este pequeno cofre, encontrado pelos meus agentes secretos, entre os despojos do infeliz e estouvado Khalil, senhor de Candahar. Dentro desse cofre vinha apenas esse singularíssimo anel de ouro. Desconfio de que se trata de jóia raríssima, que pertenceu ao grande Timur Lenk. Como poderei descobrir o enigma que envolve esse anel?
    E o Princípe, estendendo a mão, entregou ao douto Ismail o misterioso anel de Candahar.

    Ismail, o sábio (Allah, porém é mais sábio!) examinou detidamente a jóia, virando-a e revirando-a na palma da sua mão. E depois de refletir, em silêncio, durante algum tempo, assim falou ao Princípe, seu amo e senhor:

    – Julgo-me capaz de esclarecer esse mistério. Afirmo que uma das peças mais valiosas do tesouro persa acaba de chegar às vossas mãos. Este anel é o precioso e tão ambicionado anel mágico, que pertenceu ao invencível Timur Lenk, o Perseverante (que Allah o tenha entre os eleitos!). Como podeis ver, este anel no rico escudo em forma de tâmara, ostenta em letras bem talhadas a palavra tão bela e sonora: – Iazul.

    – Sim, sim – confirmou o Príncipe, muito sério – já o havia notado. No escudo, entre dois brilhantes pequeninos, lê-se a palavra: Iazul. O mistério, a meu ver, permanece. O que significa, afinal, Iazul?

    O sábio Saryh ergueu o rosto e, discorrendo em tom pausado e claro, explicou:

    – Cumpre-me dizer-vos, ó Rei do Tempo!, que Iazul é uma palavra mágica, de alto poder. Asseguro que é a palavra mais expressiva e eloqüente entre todas as que figuram no riquíssimo vocabulário persa. É mágica, repito. Reparai bem: Tem o dom de nos tornar alegres, quando estamos tristes, e de moderar as nossas alegrias, nos momentos de extrema felicidade e ventura.

    – Singular, muito singular – refletiu o Rei. É, realmente, de alta magia, essa palavra que transforma as alegrias em preocupações, e que consegue aniquilar, ou pelo menos conter, as mágoas e tristezas que pesam em nosso coração!

    E, fitando gravemente o sábio, acrescentou:

    – Mas insisto em perguntar: O que significa essa palavra Iazul? Como podemos traduzi-la?

    Respondeu o eloqüente e esclarecido ulemá:

    – Iazul, ó Rei!, dentro da sua espantosa simplicidade, significa, apenas Isso passa! Quando o homem atravessa períodos de felicidade, de alegria cor-de-rosa, de sorte e tranqüilidade, deve pensar no futuro e ser comedido em suas expansões, sóbrio em suas atividades.

    Convém que o afortunado não esqueça: Iazul! (Isso passa!), a roda do destino é incerta; a vida é cheia de mudanças. Há ocasiões, porém, em que nos sentimos anavalhados pelos sofrimentos, pelas enfermidades, feridos pelas desgraças, caminhando sob a nuvem da má sorte, da ruína e atingidos pelos golpes imprevistos do infortúnio. Para que o ânimo volte ao nosso espírito, proferimos, cheios de fé, fortalecidos de esperanças: Iazul! (Isso passa!). Sim, tudo passa! Virão dias melhores, dias calmos e felizes; a prosperidade e a boa sorte voltarão a iluminar a nossa jornada; a saúde será reconquistada; a serenidade procurará pouso em nosso atribulado coração! E, assim, ó Rei!, posso afirmar que Iazul, a palavra contida no pequeno escudo deste anel, é mágica! Alivia e abranda as tristezas dos infelizes; controla e arrefece as alegrias alucinadas dos exaltados!

    Ao ouvir as eloqüentes e judiciosas explicações do velho ulemá, o Rei tomou do anel, colocou-o no dedo indicador da mão esquerda e disse, serenamente:

    – Que notável, interessante e proveitosa lição recebi hoje! Conservarei comigo este precioso anel. Jamais esquecerei em todos os momentos culminantes de minha vida, no meio de estonteantes triunfos, ou sob o guante da desgraça, de recorrer ao eterno ensinamento contido nesta palavra mágica: Iazul!

    Quero, ó irmão dos árabes!, terminar esta lenda, exatamente como a iniciei:

    Esquece, meu bom e dedicado amigo, esquece, por um momento, as tristezas e aflitivas preocupações; livra-te dessa angústia torturante instilada em tua alma pelas incertezas da vida; senta-te, aqui a meu lado, e escuta, com religiosa atenção, a palavra mágica Iazul!

    E vale a pena repetir: Iazul! Iazul! Isso passa! Isso passa!”

    Desculpa o comentário imenso. Mas acho que precisava contar.
    Tenho certeza que vai ajudar – porque tenho certeza que é ‘tudo passa’ é verdade.

    Fica bem. =)

  • Vai passar mesmo! Força Dani, que depois vc vai rir disso tudo!

  • Michelle Gallon

    claro que vai.
    e sempre vai ter uma micha pra vc chorar as pitangas, dar abraço e dançar bonde das maravilhas.

    <3

  • Francine

    Bonita, te conheci quando era estilista da emme e acabo acompanhando teu blog desde então. Faz tempo que eu não sinto dor de amor, mas sei que dói de sufocar! espero que fique bem… se precisar de companhia para cerveja, dê-me um alô.
    beijo, Francine.

  • Camila Rocha

    Dani, vai cicatrizar sim, querida. Torcendo por você sempre ;*