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A expectativa e a realidade de morar em São Paulo.

Em dezembro do ano passado completei dez anos morando em São Paulo. Morei em Atibaia, a 60km da capital, dos 6 aos 17 anos. Cresci lá. Fui adolescente revoltada em uma cidade do interior que na época não tinha gays assumidos, McDonald’s ou pessoas de cabelo colorido. Aprendi a tocar baixo e tive a primeira banda de meninas da região. Beijei uma menina escondido com a certeza de que estava fazendo alguma coisa errada. Pintei o cabelo de rosa e velhinhas escondiam seus netos quando eu passava. Beijei um cara na frente do meu ex-namorado no ensaio de uma peça de teatro. Briguei pela primeira vez. Apanhei. Alugava van pra vir até aqui assistir show no Hangar 110, e quando voltava pra casa, roubávamos energia do poste pra fazer um show na rua. Dei meu primeiro mosh. Fiquei bêbada a primeira vez e achei uma merda. Descobri que não tinha amigos de verdade. Morri de tédio.

Mudei pra São Paulo.
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No terceiro colegial, vim cheia de esperanças pra cá. Aquela cidade era realmente um aquário muito pequeno pro meu rabo de sereia. Eu pensava que ia dominar o mundo, que ia ser demais, que tudo ia ser diferente. Eu tinha muitas expectativas do que seria a vida aqui e, felizmente, muitas delas se tornaram realidade. Tive experiências incríveis no ano de 2003, também conhecido como o melhor ano da minha vida. O pessoal que conheci na escola, os amigos do fotolog, as experiências bizarras, as verduradas… Meu primeiro amor de verdade – platônico, obsessivo, que acabou resultando num relacionamento que deu errado -. Vieram outras meninas, outros meninos, a descoberta do que era o sexo de verdade. Os primeiros porres homéricos. Os anos sem comer carne. Anarquia era uma utopia. Mudei meus conceitos de vida, política, e amor. O coração partido pela primeira vez. Ficar sem chão. Descobri que alguns amigos vão embora junto com os anos dourados.

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A verdade é que morar aqui me deu muitas oportunidades que alguns amigos que lá ficaram não tiveram. Hoje trabalham em lojas, lanchonetes e me acham esnobe por querer escrever e ter passado por agências de publicidade. Mas ora, eu sempre quis escrever. Guardo até hoje o cartaz da peça em que atuei, sobre a ditadura militar, estampado por um poema meu. Dizem que o dinheiro e a cidade grande me subiram a cabeça. Que meu rabo de sereia nunca foi grande coisa e agora eu estou num mar grande demais.

A terra da garoa pode te mudar demais, te deixar cansado. Os poros entupidos da poluição, as olheiras fundas das noites sem dormir ouvindo os carros passando na avenida… Mas eu não trocaria nada disso. Eu ainda sou aquela menina que quer mudar o mundo e a visão das pessoas sobre tudo o que é diferente. Agora eu tenho voz, e minha voz vai mais longe. Tomei muito tapa na cara e muita coisa não foi como eu imaginava. Não sou uma escritora famosa, não estou casada com filhinhos de moicano e allstar, não viajei o mundo. Mas fui longe.

Fui longe.

 

  • Kika Monteiro

    Nossa, que super profundo e motivador! Acho que a gente se encaixa no ‘rabo da sereia’, a diferença é que eu ainda vou viver essas experiências fora do pequeno aquário onde moro!
    Lindo!

  • Ricardo Esteves

    Foi escrevendo assim que eu passie a te admirar muito e fiz uma amiga foda. Você tomou a cidade pra você como poucos e acho que ela ainda te gaurda muitas surpresas e vivências. :) Manda bala.

  • Leonardo Bonassoli

    É legal ver que nesses quase 12 anos de contatos que acabaram virando desencontros por cerca de metade do tempo, a tua essência continua a mesma. Posso te garantir que você cresceu muito bem desde os tempos do baixo Syd e do primeiro blog (2001 que era o ano que, na minha infância, acreditava que estaríamos em carros voadores).

  • Eli Sabino

    Dani curto demais seus textos vc escrevi de uma sensibilidade que suas experiências nos são apresentada de tal forma que nos fazem viver junto, e a querer tb sair do aquário. :)

  • Ge Lilian

    Adorei Dani! Acompanho você no twitter tem um tempo e, não sei porque, nunca parei pra ler seu blog antes! Esse post me chamou atenção porque tô passando por isso agora e achei incrível a maneira como você contou sua história, a sensibilidade como disse a Eli Sabino!
    Adorei mesmo, você escreve muito bem, é difícil desgrudar os olhos do texto até ele terminar haha parabéns! Beijão :*

    • muito obrigada <3 <3 <3 fico muito feliz!

  • Bruna

    Nossa, eu conheço todas as pessoas da última foto. hahaha