Instagram

Follow Me!

gustavinho

Gustavinho e o direito dos ruivos.

Gustavinho era um menino lindo. Tinha os olhos azuis da cor do céu , era inteligente, o melhor da sala. Falava muito bem, tinha talento nos esportes, aprendeu a ler antes que os outros.

Gustavinho era perfeito, só tinha um pequeno probleminha: era ruivo.

gustavinho

Vocês sabem, né? A pessoa não pode ser ruiva por aí, na frente dos outros. Imagina só se os seus filhos vissem um ruivo na rua? “Meu Deus, mamãe, aquele menino é ruivo! Acho que vou virar ruivo também”. E aí, pronto… de repente, o país inteiro viraria ruivo! Onde será que ia parar essa história? Até você, moreno de nascença, ia ter que virar ruivo também. Mesmo não querendo. Porque é assim que acontece… Se todo mundo virou, você também tem que virar, e aí quando se vê não há mais miscigenação no nosso país… Não tem mais moreno, loiro, negro… todo mundo vai ser ruivo e a vaca vai pro brejo.

Mas Gustavinho nasceu ruivo. Sua mãe não é ruiva, nem seu pai. Eles não sabem de onde ele pode ter herdado isso, mas nasceu assim. Seu pai não aceita e vive tentando pintar o cabelo do menino. Já tentou o preto, castanho, e até o azul. Não adianta. Depois que ele toma banho, a tinta sai e no fim das contas, Gustavinho volta a ser quem é: ruivo. Ruivíssimo. Com a cabeça pegando fogo.

O menino falava “Mas papai, eu não escolhi. Nasci assim, não posso mudar. É quem eu sou”. Sua mãe o defendia: “Alberto, deixa o menino ser ruivo, eu só quero vê-lo feliz!”. 

Na escola, já não tinha amigos. Os pais, mal educados, ensinaram às crianças que se você ficar perto de um ruivo, pode virar ruivo também. E aí já era, né? Onde vai parar o país, todo mundo vira ruivo, a vaca vai pro brejo, etc etc etc. Então ninguém brincava com Gustavinho, e alguns meninos malvados colocavam o pé pra ele tropeçar. Ele se isolou.

Até que Gustavinho cresceu. Descobriu que existem outros ruivos no mundo, festas pras ruivos, guetos de ruivos. Encontrou pessoas como ele, e pessoas que não eram como ele mas que não ligavam pra cor de seu cabelo. Um dia, os ruivos foram à rua em protesto: queriam casar! Ter filhos, que poderiam ser ruivos ou não! Queriam adotar crianças morenas, loiras, castanhas e negras!  Imagine só o absurdo.

Mas Gustavinho estava feliz, porque agora um homem formado, já não via diferenças. Ele sonhava com o dia em que ruivos, morenos e loiros poderiam conviver em harmonia num mundo de amor onde não se visse a cor do cabelo, da pele ou do coração. Um mundo em que o amor pudesse ser preto, branco ou multi colorido. Era um idealista, esse Gustavinho. Queria andar na rua e não chamar atenção por ter a cabeça de fogo. Queria ser mais um no meio da multidão. Era um otimista. E não pararia de lutar até conquistar todos os seus direitos.

 

Que história mais absurda, né?

Pois é… É tudo ficção. Afinal, até parece que você não ia querer ter um filho ruivo…

A não ser que ele fosse gay. Porque aí, imagine só? Onde o mundo vai parar? Agora é que a vaca vai pro brejo…

 

(Esse texto contém ironia. Achei melhor avisar, já que tem gente que não entende. Gustavinho sou eu, é você. Gustavinho somos todos nós que queremos viver num mundo onde se possa amar sem ser julgado. Amor não vê sexo. Nem cor de cabelo, pele ou coração.)

  • Laura de Souza Moreira

    =)
    Você é incrível mesmo! Podia comentar várias coisas, mas se texto já disse tudo.