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A vida é frágil demais.

Dias tristes.

luto

Ontem de manhã, ainda deitada na cama, abri o Facebook e vi um post feito pelo perfil de uma amiga, escrito por sua irmã. Dizia que Fulano (não há necessidade de expor a amiga e nem a família aqui), o noivo da minha amiga, estava na boate Kiss quando o incêndio ocorreu. A amiga em questão havia passado mal de calor e saído meia hora antes de tudo. No início da manhã viu que o noivo não havia mandado mensagem dizendo que havia chegado em casa e ligou para seu celular. Um bombeiro atendeu.

Quando eu li esse post eu ainda não sabia a dimensão da tragédia. Também não sabia que mais tarde outro incêndio deixaria centenas sem casa numa favela em Porto Alegre, próximo à arena do Grêmio. Também não sabia que uma menina que eu conhecia pela internet, blogueira de Manaus, havia sido assassinada no começo da semana. Eu não sabia todas essas coisas e foi antes de dormir que me peguei pensando.

A vida é frágil demais. O destino pode ser traiçoeiro. A pressão baixa tirou minha amiga da boate, mas seu coração grande fez com que pedisse para seu noivo ficar e aproveitar o show. Catorze anos atrás, o destino fez com que o carro em que minha professora de dança voltava exausta de um show (ela era bailarina de Zezé di Camargo & Luciano) se chocasse com outro que vinha na pista contrária, cheio de meninos jovens. O destino fez com que meu pai não estivesse na ponte aérea da TAM em 1996, que caiu perto de onde por coincidência meus pais moram hoje. O destino levou muitas pessoas, e salvou muitas outras.

Enquanto isso reclamamos da vida que temos, sem pensar que deveríamos agradecer por ainda estarmos aqui. Por podermos abraçar nossas famílias e amigos. Por acordar todos os dias ao lado de quem a gente ama. Por ter casa, comida e internet boa o suficiente pra estar lendo esse post.

Tanta gente perdeu tanto, esses dias. Tanta gente perde tanto todos os dias.

Amanhã tudo pode ter se acabado.

Vamos ter certeza de que fizemos o nosso melhor enquanto pudemos.

 

  • Julie

    Eu não conhecia ninguém em nenhuma das tragédias, mas sempre me pego pensando nas pessoas. Ontem, conversei com minha mãe sobre o assunto e ela ficou muito mal – talvez porque tenha uma filha na mesma idade das pessoas que estavam lá, talvez porque foi triste mesmo – tendo filhos ou não. Eu fiquei pensando nos futuros destruídos. Nos amores, nos sorrisos. Nos abraços dos amigos. Naquela formatura que nunca vai chegar. É. É dificil pra cacete viver nesse mundo. Foi bem o que você disse, o destino é cruel (ou não), e talvez seja o que nos mantem aqui. Talvez seja deus. Talvez sejamos nós mesmos, e a nossa sorte. Vai entender.

    Talvez a gente fique pensando por semanas nesse assunto. Talvez não. Talvez as pessoas esqueçam, assim como esqueceram as crianças do Realengo e as vitimas do vôo da AirFrance. Ou como esquecem do cara que foi atropelado e não foi resgatado a tempo. A vida passa. E a gente tenta esquecer da dor, porque parece que ela sempre reaparece.

    Toda a paz e conforto do mundo pra você e pra sua amiga. Do fundo do meu coração. Não creio que haja algo a ser dito, mas que ela consiga ser feliz, vivendo em paz.

    • obrigada, julie. aos poucos a vida retorna ao normal, dentro da medida do possível. para todos nós. acho que o brasil inteiro foi afetado por essa tragédia. de uma forma ou de outra, somos todos irmãos.

  • A vida é frágil, por isso temos que demonstrar amor acima de tudo. Te amo amiga.