Um ano, doze meses, 365 dias, 8760 horas com ele.
Não sei se eu já contei essa história aqui mas o meu primeiro beijo com o Chicó foi extremamente estranho.
Numa situação desconfortável – nós tínhamos acabado de começar a trabalhar juntos, estávamos no meio da rua a algumas quadras da agência, ele indo pro trem e eu indo pro ponto de ônibus. O sol estava se pondo, era horário de verão. A gente passou uns dez minutos discutindo se poderíamos ou não ficar, quando tínhamos decidido que talvez não fosse uam boa idéia ele me roubou um beijo.
Meu primeiro pensamento na hora: “Merda. Fodeu.” Escondi o rosto no peito dele – eu faço isso até hoje – e depois tentei ir embora. Mas ele me deu outro beijo e esse eu deixei, envergonhada. Foi bizarro e bonito, como todas as histórias legais de contar pros netos devem ser.

Nos doze meses seguintes, passamos por tanta coisa que nem sei dizer. Como todo casal, sempre tem alguém que não gosta de ver a gente feliz. Mas parece ser um consenso geral de que formamos um casal muito bonito, e isso me faz sorrir. No fim de todos os dias ele sempre está lá na minha cama, na nossa casa, dormindo me esmagando como me esmagou naquele primeiro dia no meio da rua. A gente ri junto, faz comida, às vezes briga e faz as pazes. O beijo nunca deixou de ter um gostinho doce.
Não concordo com quem diz que o amor não deve doer. Se não dói pelo menos um pouquinho, não é amor. E se cabe dentro de você, também pode não ser. Meu amor não cabe em mim, não cabe na nossa casa, não cabe em São Paulo nem no universo inteiro. Às vezes me pego olhando pra ele e sorrindo com cara de idiota porque parece que vou explodir a qualquer momento e virar uma nuvem de confeitos coloridos em formato de coraçõezinhos.
Hoje faz um ano daquele beijo e depois dele nós nunca nos desgrudamos. Dividimos a mesma cama, as mesmas histórias, as memórias, o armário e a casa nova.
Meu bem, não existe texto no mundo que consiga descrever o que a gente tem. Eu só sei que hoje vou te beijar como beijo todos os dias, com a mão no seu rosto, fazendo carinho na sua barba. Vou dizer que te amo bem baixinho e vamos ficar com os narizes encaixado um no outro por alguns segundos. Você sabe, a gente sempre faz isso. E esse pequeno ato de carinho é maior que quatrocentos milhões de caracteres.
Essa vontade de chorar de alegria, de querer casar, de querer gritar… é amor. Sempre vai ser. Um ano e muito mais, Uma vida inteira de você.
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